Reloaded
E pronto, cá cheguei. Desanimado, é certo, com esta minha primeira travessia blogosférica e cansado com a carga de palavras que produzi (tantas, tão insuspeitavelmente imensas) e que agora sou obrigado a trazer às costas. Mas satisfeito por finalmente aqui a poder largar, a essa tralha de mim e por poder aqui ficar, já mais longe do troar que criei em meu redor, esse barulho que as palavras fazem quando se escrevem já sem contentamento e razão.
Lá de onde vim e onde deixei as outras palavras, fui aos poucos descobrindo que, se as palavras nos contam, também sobre nós mentem. Que, se as palavras sossegam, também nos desassossegam. Que, se as palavras nos impelem para ainda mais dentro de nós, assim mesmo também nos podem asfixiar. Que, se as palavras nos serenam, afinal também nos podem enfastiar profundamente. Basta que ao invés de sabermos fazê-las contar de nós nos façamos nós contos delas, qual alimento dessa sua vaidade, esse absurdo de presumirem que afinal, nós, os que as escrevem, somos apenas a parte tangível do personagem que elas próprias inventam – como se o nosso mundo fosse assustadoramente mais pequeno do que aquilo que elas deixaram por contar – só para que assim se possam sentir existir. Disso, de me ver assim menos que as palavras, amedrontado, hei-de fugir sempre, saltitando recomeços, uma e outra vez, tantas quantas forem necessárias para apagar indícios do que sei que não sou, do que sei que não sou apenas.
Não sei se é por isso, admito que não, mas este parece-me um local novo, onde me agrada pensar que se pode recomeçar, e aparentemente é aqui que irei agora escrever. Mais silenciado, vigram quase, neste espaço deixarei que as palavras se libertem de novo, aos poucos, uma-por-uma, como se fosse esta a primeira vez. Hoje umas assim, amanhã o que me apetecer, que será sempre com a minha vontade que as irei escrevendo. Até um dia me interrogar outra vez porque aqui o faço e, tal como hoje aconteceu, acabar por juntar todos os textos que entretanto produzi numa nova trouxa de interrogação, e partir de novo, para um outro blog, uma ponta de um guardanapo, ou para uma página amarelecida nos esconsos de uma gaveta – seja o que for, tão só um qualquer lugar ou coisa que possa ser grafada.
Que nisto entranha-se o escrever, e fica-nos este triste fado de ser o choffeur cativo de um desejo deambulante, alarve de palavras. Entretanto, temeroso de ser só isso, fugirei sempre de me ver escrito, e fingirei sempre no que tenho escrito, ou pelo menos, hei-de fingir que finjo. Agora, aqui.
Serei o primeiro, então.
Que te faça feliz este novo pouso e que não te falte inspiração.
Fiz a “lápide” ao outro, faço neste a “benção” inaugural…
Até ver, JNF.
Começar de novo é sempre uma sensação inegualável pela perspectiva de novos mundos para descobrir com a esperança a pardalitar em cada esquina. Folgo em ver-te a navegar.
Pronto! Lá me estragaste a surpresa, pá.
Agora, que posso eu dizer que não o tenhas já tu feito?
(Mudo-me calado, talvez…)
Não fui capaz de te dizer adeus no outro, mas, em compensação, folgo muito em te dizer olá nesta tua casa nova! (ai que já me desabituei de te comentar, remeto-me agora de novo ao silêncio)
As boas palavras não têm sítio, Eufigénio.
Podem estar escritas em qualquer local ou em qualquer suporte, bastando que venham de um homem de palavra(s).
(Nice place)
;-)
Olha, olha… uma caixa de comentários!!!
Afastado que ando dos blogs por motivos pessoais, não podia deixar de vir comentar a esta caixa (enquanto se pode ;-) ) para deixar um abraço e desejar uma longa estadia nesta nova casa.
Podes fingir tudo, menos fingir que não queres escrever.
:)) Welcome
:)
As palavras são como o mar, acho eu; há dias bons, outros nem tanto.
É preciso é que exista :)
:)
re-repito o :-)
Epá tou mesmo contente! :))))
Beijinhos.
Fico também muito contente.
Um abraço.
Uf! Que alívio! Que susto apanhei. Deixar de te poder ler!?…
PS – Foi tal o susto que me “obrigaste” a atrever-me ao 1º comentário :-)
Sim, os leitores aguardam… até aqueles que só recentemente descobriram o blog anterior… e que iam tendo uma apoplexia com aquela última mensagem. :blink:
Eu devia ter suspeitado que as salsichas iam dar nisto…
:D
Olá eufigénio, bem-vindo ao wordpress! Beijinhos
Também me palpitou que ias imigrar para outro poiso. Ficou bem satisfeita! E com comentários e tudo, viva o luxo!!!! Já te actualizei lá na minha coluna.
Uff! Ainda bem que não passou de um susto. E dá para ver que não aprecias grandes despedidas.
Welcome back!
Gosto da ‘nova casa’…
Abraço!
Ufa! Que boas são estas noticias! Que bom voltar a lê-lo! Tomara continue a aparecer com frases deliciosas de se ler no ecra do meu PC.
Felicidades neste seu recomeço.
eu gosto muito das suas reflexões e da sua forma de as explanar, e
sei que o nosso mundo é assustadoramente maior do que as nossas palavras, eventualmente, deixaram, ou conseguiram contar
por isso alegro-me por poder continuar a lê-lo
desejos de bons ventos!
PS- A nova morada é muito mais bonita (amarelo e bordeaux iac! ;0)
sempre na cauda da informação… :-S
não comento acima, o texto melancólico, pra não dar o ar de que faço alguma ideia daquilo que estás a falar… ;)
Deixo aqui um comentário tardio. Gosto muito do seu blog e acompanho, às vezes sem entender algumas palavras deste português de Portugal (estranha afirmação) mas sempre encantado com a elegância e a fluidez das suas palavras.
Boa sorte e continue a escrever!
o primeiro comentário desvenda que por aqui passou um digno JNF. pena que agora volatizado, a capa do anonimato para a agressividade que aqui se destila
[...] : "http%3A%2F%2Fapenasmaisum.wordpress.com%2F2009%2F11%2F19%2Fando-ca-com-uma-vontadinha%2F" } de recolocar este post * com que reiniciei este despautério de palavras quando cheguei a este [...]