- Dioogggggooooo! Cala-me esse pífaro por favor.
- Oh pai, isto não é um pífaro. É uma flauta.
- Mas filho, eu já não aguento mais esse assobio, tem dó!
- Eu nem sequer estava a fazer barulho! Estou só
a aprender uma música
- Isso já eu vi. Mas também, porque é que te deram essa
ladainha oriental?
- Não, não é a ladainha, é a cantanamera
- É a quê? a Guantanamera? olha que não.
- Ai é sim, olhe aqui no livro
- Mas … bem, não a estava a reconhecer. Tens razão, pronto.
- Então já posso tocar agora?
- Nãooo! Até eu a conseguir reconhecer não podes traulitar
isso ao pé de mim. Se quiseres vai treinar para o pátio
- Não posso
- Não podes?
- Não
- Então porquê?
- Porque o senhor do 2º andar do prédio ao lado começa logo
a dizer para eu estar calado.
- Se calhar não tem ouvido para a música. Olha, porque não
vais então tocar para o sótão
- Mas assim ninguém me ouve
- É justamente essa a ideia
- Ohhh
- Diogo a vida de um músico é uma estrada árdua e solitária,
o que julgas tu
- Pois, e o pai está sempre a dizer que temos de estudar, e
agora que quero ver se tiro um ‘excelente’ a música é que …
- Basta um ‘bom’, filho. A música basta um ‘bom’.
(e assim, num momento de fraqueza, acabamos por pôr em
causa todo o preparo mental para este ano lectivo)
E ao meu que lhe ofereceram uma bateria? E nem sotão tenho.
se quiseres acho que o meu vizinho do 2º andar não se importa nada com o chinfrim. posso pedir-lhe
Pois a mim calhou-me na rifa um PAI que compra aqueles pífaros em barro dos peruanos e passa fins de jantares inteiros a soprar aquela mer… porcaria!
Bolas…
ahahah … Papoila, acho que os devíamos apresentar um ao outro. Quem sabe não será o início de uma promissora orquestra de pífaros. (ao que parece a corticite nas paredes é um bom isolante)
Como eu te entendo, Zé!
Eu só não percebo é porque … no nosso tempo sempre havia também xilofones e ferrinhos. Mas agora é de assobio para cima, só.
Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um pifarito,
tiro, liro, lir’um pifarito,
Ai olá, ai olé,
Foi na loja do Mestre André….
.
.
.
Tenho de lhe oferecer um pifarito como deve ser e ensiná-lo apitar oitavas acima e por aí fora…
e depois devolves o miúdo quando? admito que em oito meses ele já esteja apto a tocar musica de gente. antes disso … olha, vou já avisando que ao pequeno almoço ele prefere os chococrispies.
e eu que tenho um piano em casa e dois filhos que não querem aprender música?! tu é que tens sorte, isso sim. e graça.
Susana, e eu tenho uma mulher que toca piano (o francês sou mais eu que arranho) e 2 pianos no algarve, mas o que sobra é mesmo um pífaro a esvoaçar impante* pela casa toda.
* impante? existe?
Oh zé, que cruel que és.
existir, existe, mas num pífaro não sei como se traduz… :D
Mad, acusticamente, ah pois sou
Há-de ser num tom bem esganiçado Susana, isso pelo menos posso confirmar