para ler, usar e deitar fora
Caro Leonel Vicente,
Muito lisonjeado fico com o endereçamento que me é dirigido, e atrapalhado, também. Tenho muita dificuldade em compreender que importância poderão ter para os outros os livros que mais gostei de ler (estou a presumir que será este o critério), sobretudo se o tiver de justificar. Para agravar, é indisfarçável a aversão que tenho a todo o género de “correntes” de mails e/ou post’s, já que estas são de forma geral infestantes e pouco interessantes para quem se encontra de fora delas.
Por isso, em condições normais devolveria a atenção o mais educadamente que me fosse possível, renunciando ao privilégio da resposta, como aliás já fiz anteriormente por várias vezes. Mas acontece que vislumbrei agora um possível proveito neste desafio, e isso já poderá tornar a minha participação menos (auto)criticável: seleccionar os livros mais úteis! Não me é difícil admitir que associar a literatura a um critério de utilidade pode ser a coisa mais abstrusa e antipática que se possa insinuar junto de quem goste da escrita. E isso, perversamente, agrada-me. É portanto com algum impudor e até indisfarçável soberba que aqui listo os 10 livros mais “utéis” da minha vida:
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Os trabalhadores do mar, Vitor Hugo – fez-me engenheiro
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Ulisses (apenas as 20 primeiras pág.), James Joyce– fez-me estóico
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O Idiota, Dostoievski – fez-me admirador da literatura
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Princípios fundamentais da bricolagem, (anónimo) – fez-me respeitado em casa
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Pantagruel, (…) – fez-me sobreviver com dignidade
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Por quem os sinos dobram, Hemingway – fez-me compreender os homens
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Meu filho, meu tesouro, Spock – fez-me deixar de ter medo de ser pai
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O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde- fez-me compreender a tempo os perigos da futilidade
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Mecânica Aplicada (lagrangeanos?), Libnitz – fez-me admirar a mais surpreendente formulação do universo
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O bobo, Alexandre Herculano – (quase me) fez compreender melhor esse povo estranho que são os portugueses
É óbvio que ficaria chocado se mais tarde viesse a receber de alguém, de ricochete, algo que me sugerisse leituras de utilidade, pelo que, para que não incorra em tais riscos, por aqui me fico, sem passar o testemunho, e com um grande e agradecido abraço por te teres lembrado de mim.
Acho que valeu bem a pena o desafio, agradecendo o facto de o mesmo ter sido aceite…
Um abraço!
o nº 4 – uma mais valia fundamental para um homem q se preze
:)
Ia dizer eu é que agradeço Leonel, mas isto às tantas fica cheio de salamaleques com tanto obrigado. Fica um abraço.
Vague, tenho-o à mesinha de cabeceira, aliás, esta (essa), feita por mim (de acordo com croqui da pág. 147 – “técnicas de encastramento”)