A p e n a s + 1

Há 12 anos, nascia no meu segundo filho a continuação do meu pai . E eu prolongava-me, muito para além daquilo que alguma vez ousaria ser

Posted in Aproximações, PostoMaton's by Zé on 16 Janeiro, 2008

diogo1.jpg

Se forem dois irmãos é quase certo que terão naturezas opostas. E se ao primeiro lhe sair em sorte esse deslizar aéreo sobre as coisas, esse estar-e-não-estar, então sobejará para o mais novo aquilo que normalmente são traços de irmão mais velho – a voluntariedade. Fica-lhes o encargo de tomarem conta das coisas. São os que ficam para trás quando alguém se deixa atrasar, ou que dão o peito quando alguém lá na frente receia algo. E há nisso um insaciável desejo de agradar, e também a contradição de não quererem dar nas vistas mas gostarem de ser reconhecidos.

As contrariedades resolvem-nas sem desvios, e suportam-nas até ao limite, em solidão. A última coisa de que serão capazes, é mostrarem as suas fraquezas em público, e por mais dolorosas que essas sejam, sairão sempre com um olhar orgulhoso, até que cheguem a casa. Aí, no calar do dia, só aí, deixarão que as lágrimas lhes corram, e apenas para dizer: “não volto lá”. E neles, o que dizem nestas alturas, é para se saber ouvir, e é bom que aprendamos a ficar antes dos limites do seu orgulho.

São naturalmente obstinados. Muitas são as vezes que conseguem em esforço o que outros alcançam com mais facilidade. São tímidos e orgulhosos, teimosos e inseguros, e nessa têmpera de contradições encontramos uma invulgar tenacidade. Nada neles é aparatoso, e por isso nem sempre os descobrimos facilmente, ou do que fazem pelos outros. Mas eu aprendi a reconhecê-los pelas mãos. São grandes, fortes e têm um jeito de dedos no agarrar das coisas que os desmascara: são as mãos de um artífice. Foi assim que as aprendi a ver no meu pai, e foi assim que as redescobri no Diogo.

Sei que na sua disponibilidade haverá muito de uma solidão especial, e que empurra para dentro as coisas que não interessam aos outros. É isso que fará com que, – mesmo que venha a alcançar quase tudo o que quer – nunca se sinta completamente feliz. E essa inquietação fará com que cada vez mais se procure realizar com os outros. Nasceu voluntarioso, mas pressinto que isso que está dentro de si o tornará acima de tudo alguém muito generoso. Há quem tenha nascido para se sentir mais nos outros que em si mesmo. Como pai receio que essa maneira de ser, tudo isso, tudo o que ele é, torne os seus caminhos mais árduos. Mas como homem sei também, tenho a certeza, que o irei respeitar mais por isso.

(reload – porque há coisas sobre as quais não sei escrever duas vezes)

18 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Duarte said, on 16 Janeiro, 2008 at 1:34 am

    Doze “carolos” ao Diogo!
    Não percebo como sabes tu tão bem essa coisa de ser o segundo…
    Por coincidência, faz também hoje anos um outro filho segundo, o nosso comum amigo “Gordo”.
    Abraço.

  2. said, on 16 Janeiro, 2008 at 2:18 am

    coisas que não alcanças oh “primeiro”

  3. cat said, on 16 Janeiro, 2008 at 10:37 am

    Então muitos parabéns. :)
    (olha que bom que foi ler o reloaded assim fresquinho)

  4. Gione said, on 16 Janeiro, 2008 at 3:36 pm

    Parabéns ao Digo e aos papás!
    Quanto a mim, que também tenho dois filhos, o segundo não era nada assim mas, a dada altura do seu percurso, tornou-se assim como o seu ;)

  5. said, on 16 Janeiro, 2008 at 5:41 pm

    Muito obrigado às duas :)

    (amanhã há mais)

  6. nyto said, on 16 Janeiro, 2008 at 11:09 pm

    Parabéns ao Diogo e aos pais!!!

    Da minha parte fica aquele abraço grande!!!

  7. clara said, on 16 Janeiro, 2008 at 11:30 pm

    A foto? Tão bonito. Parabéns aos dois. Ou se calhar aos 3. Ou aos 4.
    Bjs

  8. bill said, on 16 Janeiro, 2008 at 11:32 pm

    Delicado dia!
    Oohhhh mãããae… Ohhhhhhhhh paaaaai…
    o que foi meu querido?

    Paf, paf! Não foi nada! ahahahahahah!

  9. jpt said, on 16 Janeiro, 2008 at 11:32 pm

    muitos parabéns ao Diogo e aos pais

  10. bill said, on 16 Janeiro, 2008 at 11:39 pm

    (é mais assim)

    Delicado dia!

    Oohhhh mãããae… Ohhhhhhhhh paaaaai…
    o que foi meu querido?

    Não foi nada! ahahahahah… vvrrrruuummmmmmmmmm…!

    PARABÉNS!

  11. mariaarvore said, on 17 Janeiro, 2008 at 12:12 am

    Para um filho segundo um reload que se lê como descoberta como se fora a primeira. :)
    Parabéns ao pai babado! :) (e ao Diogo:), embora deva ser estranho receber parabéns de uma estranha)

  12. said, on 17 Janeiro, 2008 at 12:49 pm

    Mais uma vez agradeço a todos os parabéns; e tentarei transmitir ao Diogo que é possível também receber os mesmos de forma tão simpática a partir de uma página perdida na internet onde o maluco do pai escrevinha a sua admiração por ele!

    Não sei exactamente como o farei, já que hoje … quem faz anos é o Francisco! (ah pois, lá em casa faz-se tudo por atacado!)

  13. bill said, on 17 Janeiro, 2008 at 12:55 pm

    PARABÉNS! Francisco!

  14. Gione said, on 17 Janeiro, 2008 at 1:11 pm

    E hoje parabéns ao Francisco!

  15. nyto said, on 17 Janeiro, 2008 at 9:04 pm

    Parabéns Francisco…

    Assim é que é… A semana inteira em festa, ao fim de semana juntar em casa os amigos todos dos nossos filhos para a “festinha das 15 as 18″ que dura sempre até ás 21… Sabendo que depois fica tudo por arrumar..

    Já agora… Para amanhã é necessário dar os parabéns a mais alguem?
    Não tenho a certeza se consigo estar online, por isso pode ser que á meia noite venha aqui para felicitar mais um.

    Abraços e Parabéns aos pais tambem!!!

  16. mariaarvore said, on 17 Janeiro, 2008 at 9:53 pm

    Diria que isso é que são medições rigorosas. E parabéns ao Francisco. :)

  17. madalena said, on 18 Janeiro, 2008 at 12:43 am

    Parabéns, Francisco, Diogo e papás. E gozem muito e muito bem esta etapa da vida que é, no meu sentir de mãe babada e galinha, a melhor para realizar projectos a quatro. É aquela altura em que ninguém está obrigado. Todos estão por gosto e é natural que assim seja. As minhas melhores recordações de infância é a da infância dos meus filhos, que eu procurei prolongar um pouco mais para além da idade da infância. Pelo que aqui vou lendo, eu sei que estão em pleno gozo desta maré benfazeja. Que bom! Beijinhos felizes por isso!

  18. João Pacheco said, on 19 Janeiro, 2008 at 1:17 pm

    Um fantástico texto de um Pai atento.


Deixe uma Resposta