A p e n a s + 1

fulgores e rubores

Posted in Circunflexões, Pulsações, alucinações by Zé on 11 Março, 2008

Este serão andei no vasculhanço e acabei por encontrar prosa antiga, muito antiga. Papéis amarelados, briosamente matraqueados por teclas mecânicas, com cuidadoso corrector passado sobre as hesitações, enfim, clamando de importância. Mas papéis tão cheios de coisas mal escritas, tão semeados de significados antagónicos, tão afectadamente decorados com rimas forçadas que súbito os voltei a sepultar, lá bem no fundo da gaveta onde os encontrei, sem coragem porém para os destruir, mas acabrunhado, enrubescido até.

Fiquei matutando. As comparações apareceram depois naturalmente. Será que daqui a 20 anos, remexendo nas tralhas que juntei, acabarei por encontrar este Blog ? Será que daqui a duas décadas, relendo-o, também a ele acabarei por voltar a ‘engavetar’, envergonhadamente, lá bem no fundo da net ?

E agora transpondo: será que sobre mim, visto d’além como se de texto me tratasse, sentirei algo assim também? Irão também em mim percorrer-me rubores sobre a juvenilidade d’antanho, esta que orgulhosamente ostento assim tão já bem entrado nos quarenta?

Apoquento-me. Será que alguém me deixa ir lá á frente na vida, só para espreitar, só para ver como me escrevo, só para saber quem agora me pareço, antes que seja tarde ?

coisa publicada em Novembro de 2004 em outro blog, depois acrescida com laivos de conturbada inquietação (a cinzento), já em tempo presente

9 Respostas

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  1. catarina said, on 12 Março, 2008 at 4:55 pm

    Esse caminho foi o que te trouxe até aqui. Claro que seria mais tosco de início, mas não é isso o caminho para a sabedoria? (não sei o que me deu agora, um ataque agudo de filosofite, deve ser falta de nicotina, já me passa; não obstante esta esfarrapada desculpa para este meu deslize (mariquice, pronto!) , mantenho-o).

  2. said, on 12 Março, 2008 at 5:11 pm

    Claro que concordo contigo, mas eu sou gajo de perguntas retóricas… que fazer, se mesmo assim tão pouco me ocorre já.

    Segue mais uma, na mesma direcção que a do texto: será que quando criamos algo (fulgores) ainda assim lhe atribuimos menor importância do que isso possa vir a revelar de nós (rubores). Será toda a criação apenas uma tentativa de o seu autor se auto-eleger ou mesmo, se em contrário, um acto falhado que este acima de tudo receia ser desvendado junto de quem o ‘escuta’?

    (falaste em ataques de filosofites Catarina?)

  3. susana said, on 12 Março, 2008 at 10:40 pm

    assim, acompanhando a vossa linha, qualquer acto criativo se encontra no seio (sim, essa mama!) da auto-representação e da heteronímia. narcisico, portanto, oh.

  4. catarina campos said, on 12 Março, 2008 at 11:30 pm

    Eu que vinha cá responder ou pelo menos reler a ver o que haveria de responder, olha, até emudeci com tanta sílaba da mana. Caneco! Pois, deve ser isso.

  5. said, on 13 Março, 2008 at 12:46 am

    (pschiuuu, catarina, estou aqui. vem para aqui mas não faças barulho, aqui para o cantinhpo dos “e agora o que é que lhe digo?”. a moça quando se sai com a síntese dos caracteres deixa qualquer um sem poder de réplica)

  6. catarina campos said, on 13 Março, 2008 at 1:51 pm

    (nem tou cá….)

  7. susana said, on 13 Março, 2008 at 3:13 pm

    hum. de acordo com a tua relação entre o número de caracteres e a transformação em post, achas que devo fazer o upgrade, mana…?

    :D

  8. said, on 14 Março, 2008 at 11:27 am

    SuZana, a Catarina foi lá dentro mas diz que volta já. estejam à vontade para a vossa conversa de família. façam de conta que eu só cá vim tirar o pó dos post’s (o que nem é mentira nenhuma)

  9. susana said, on 14 Março, 2008 at 12:54 pm

    :D
    olha, ainda bem que te encontro. depois a ver se falamos, para me dizeres como é que se vai para lá.


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