A p e n a s + 1

oxalá um destes dias não me veja forçado a sentar-me do lado de lá

Publicado em Anotações por Zé, em 27 Março, 2008

Tenho andado esta semana em entrevistas para admissão de um novo Colaborador para a equipa. Estou simplesmente chocado. São já incontáveis os processos de candidatura/admissão de pessoal em que me tenho visto forçado a participar (eu é mais máquinas) ao longo dos anos. Tenho testemunhado de tudo: licenciados candidatando-se para tarefas de atendimento telefónico, gente com experiência de 20 anos disposta a (re)iniciar carreiras … ganhei por isso já algum endurecimento nestas situações em que me vejo forçado a mergulhar no universo do mercado de trabalho.

Não estou é já preparado para conduzir entrevistas desta natureza nos moldes em que me habituei a fazer. Lido muito mal com a questão até. Apesar de só ter sido apanhado desprevenido na primeira reunião continuo sem saber o que dizer quando a generalidade dos candidatos, em geral com valia para ocuparem a função, manifestam, inusitadamente, uma expectativa de remuneração francamente abaixo daquela que estamos dispostos a oferecer!

Nota: não, não pagamos acima da concorrência


7 Respostas

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  1. TalvezTeEscreva said, on 27 Março, 2008 at 4:14 pm

    É chocante, deprimente mesmo. O que é mais grave ainda é que essas pessoas a que se refere – “gente com experiência de 20 anos disposta a (re)iniciar carreiras” – provavelmente é gente na casa dos 40 anos e que sabe bem que até à [eventual] reforma ainda lhe faltam mais 20 e tais anos dessa dita experiência profissional!

    Em 1997, estando eu em posição disso, dei emprego como secretária a uma amiga dos tempos de escola. O ordenado liquido que lhe pagava era na altura, o equivalente a 750 euros mensais [150 contos]. Ela estava divorciada, vivia com os pais e todos os meses me dizia que achava o ordenado baixo e não conseguia viver com tão pouco. Eu achava o ordenado justo. Em 1997. Há cerca de dois anos, em 2006, reencontrei-a. Continua a viver em casa dos pais e agora é administrativa no Grupo Mello. Recebia então um ordenado liquido de 450 euros [90 contos]. Perguntei-lhe como conseguia viver com tão pouco?!? Ela respondeu-me que dava graças a Deus por ter emprego. Em 2006.

    Deprimente.

    [Caro Zé, pretoguês corrigido, por favor apague o comentário anterior a este]

  2. susana said, on 27 Março, 2008 at 7:17 pm

    que bom, que bom. ja’ sei a quem pedir emprego um dia destes…

  3. Joao / Joni said, on 27 Março, 2008 at 9:01 pm

    Aceitas partime?

  4. Margarida said, on 28 Março, 2008 at 10:30 am

    De facto “talvezteescreva” pagas bem de mais… conheço muitos licenciados que não se importavam de receber HOJE 750 euros.
    Mas de facto quando existe mais procura no mercado menos se exige e também as empresas abusam mais facilmente.

  5. TalvezTeEscreva said, on 28 Março, 2008 at 4:48 pm

    Não, não. 150 contos limpos de ordenado [para a empresa ainda acrescia a Seg.Social e a retenção na fonte mais seguro] era, em 1997, uma remuneração normal. Hoje em dia é que está tudo errado e as pessoas resignam-se e conformam-se entre Oxalás e graças a Deus. Assim, nada vai mudar, excepto para pior porque quem está do lado certo da cadeira diz oxalá, e quem esta do outro lado suspira graças a Deus enquanto o custo de vida continua a disparar para valores absurdos e os ordenados a descerem para valores risíveis [não fosse o facto de as pessoas os aceitarem].

  6. said, on 28 Março, 2008 at 5:27 pm

    tem toda a razão!

    (e nisto nem sequer há um ‘lado certo da cadeira’)

  7. TalvezTeEscreva said, on 28 Março, 2008 at 6:17 pm

    Claro que há um lado certo, meu caro Zé, o lado certo da cadeira será sempre o lado de quem com um pequeno gesto pode fazer a diferença, mudar para melhor alguma coisa, a vida de alguém.

    [As competências estão sempre fragilizadas quando emolduradas num quadro de necessidade, de fragilidade pessoal.]


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