blogoterapia
a angústia não vem do que deixámos por fazer, mas da inquietação com que reconhecemos essa falha. porque a angústia não está nas coisas, mas em nós.
Há alturas em que, subitamente, estaco. Paralisa-me a hipótese de algo precisar da minha intervenção, algo importante que não consigo identificar de forma exacta, algo como uma carta urgente para mandar a alguém. Tudo isso é desenhado no domínio dos pressentimentos, e no entanto, apesar de assim tão vago, toma a forma de um forte compromisso ao qual nesse exacto momento estou a falhar. Nessa altura, angustiado até, sou incapaz de me reconduzir no que estava a fazer antes de ser consumido nesta imprevista percepção.
Mas assim, amofinado, raramente fico mais que um ou dois minutos. Normalmente, com um exercício elementar de racionalização acabo por desarmar a ideia de que alguém depende de mim naquele instante - a inquietude acaba por se desvanecer e eu retomo a minha compostura. Volto ao trabalho. A carta é que não, a carta fica sempre em mim, em falta, por mandar, à procura da próxima vez em que me sobressaltará de novo por falta de um destinatário.
…Há dias em que sonhamos por outros ventos, por outras margens…
Enfim apenas nao podemos ficar estagnados aqui, nesta esfera, na tua esfera….
Ainda que isto seja quase comoum vicio ha que enfim retomar outros.
Deveria ser esta a dinamica…
Deveria ser este a demanda…
Apenas executar…