nem mais!
Aqui onde escrevemos, onde pensamos, devemos fazê-lo radicalmente. Temos de ir ao osso. O capitalismo é um sistema que sobrevive à custa de dois mitemas fundamentais: um, o de que existe paraíso e de que ele está acessivel a cada um de nós (venda, leasing, seja lá o que for). O outro o de que o seu desmoronar será a catástrofe, o dilúvio. A sedução e a ameaça, a intimidação. Quanto mais básicos os recursos retóricos, mais eficazes.
É preciso dizer que há saída. Que a ilusão é possível. Podemos e devemos continuar a alimentar a parte esquerda do nosso cérebro.
no “respirar o mesmo ar” do JPN
Meus caros amigos dinossáuricos (aqui posso dizer os nomes, não posso?) Quim e Zé:
Esta divisão entre esquerda e direita é que é o verdadeiro “recurso retórico básico”. Temos que criar um novo modelo? Sem dúvida! E como se faz então? Com o lado esquerdo do cérebro? Porquê? A esquerda tem soluções para diminuir a “injustiça e as desigualdades”? Porque será que a maioria não acredita? Temos o exemplo do Maio de 68 que poderia ter funcionado como alforge de uma nova geração dirigente e que apenas produziu uma incoerente “gauche caviar”.
Do mesmo modo que não considero que a esquerda falhou, apenas porque as experiências esquerdistas se degradaram, também não condeno as experiências capitalistas porque se tornaram reféns dessas instituições famigeradas que são as grandes multinacionais, os mercados financeiros e os seus sofisticados produtos estruturados (um destes dias o meu partido ainda me chama ao Caldas para devolver o cartão).
Acredito na capacidade do Homem para aliviar a visão antropocêntrica que domina as principais ideologias. Acredito que poderíamos muito bem caminhar para uma nova ideologia que se poderia chamar participacionismo. É imperioso construir um caminho entre a democracia directa e a representativa. Participar é o caminho. Defendo a limitação de mandatos. Defendo as discriminações positivas, sejam elas etárias, de sexo, de nacionalidade, de rendimentos, o que for necessário para que a “representatividade seja directa”. Virtualmente ninguém deveria passar por este planeta ser ter tido pelo menos uma experiência de gestão da “coisa pública”. Não entendo porque é necessário ter 50/60/70 anos, ser homem, uma profissão liberal e barriga para ser deputado. E porque é que a participação política se confina aos partidos? E porque é que nas autárquicas, onde me parece que já são permitidas candidaturas independentes estas são residuais e na maior parte dos casos têm origem em roturas partidárias. Custa dinheiro? Pois custa! E quanto custam os autarcas que se mantêm durante dezenas de anos alimentando esquemas de corrupção sem controlo. Defendo que a constituição deveria prever uma percentagem do orçamento de estado para custear a participação política. Assim como defendo de forma radical e absoluta a interdição de qualquer tipo de apoio financeiro aos partidos ou quisquer outras formas de exercer política, desde a simples moeda numa caixa de contribuições até ao donativo “desinteressado” do empreiteiro da terra. Não acredito em “almoços de borla” na política.
Já agora, questiono: isto que escrevi é de esquerda, de direita ou apenas a minha visão?
Ora vês, até eu não podia estar mais de acordo contigo Duarte!!!
Acho que te equivocaste num juízo ao princípio (no que foi bom, ou não terias escrito o resto): eu sou alérgico à esquerda, eu sou alérgico à direita, eu sou alérgico a estes conceitos duais da política na base do esquerda-direita, eu sou alérgico a qualquer conceito da política actual, e se calhar (espanta-te) pelas mesmas razões que tu. E é por isso que este texto do Quim me diz tanto e o quis aqui fazer meu.
O Quim no meu entendimento manifesta a necessidade da ruptura não com a esquerda ou a direita, mas com o status quo da política, naquilo que se entende ser o modelo democrático ocidental (ainda assim o melhorzinho que este planeta tem), que já não dá para as encomendas e que para agravo tem ainda o pretexto da “elegibilidade democrática” que ninguém de bem intelectualmente pode/deve contestar! E esse é se calhar o problema, o de não se encontrarem até hoje saídas intelectualmente honestas para o descalabro que o sistema democrático enquanto alicerce político, mas também económico (sim, claro que incluo o capitalismo e todas as formas liberais de geração de riqueza, deixe-mo-nos de merdas) e naturalmente social (que miséria esta de alguém se ter esquecido de acabar de escrever o livro quando chegou a esta parte) está a chegar. A ruptura acontecerá sempre, catastroficamente ou de forma provocada. No meu entender gostaria que o homem ainda manifestasse alguma capacidade de confrontar os seus designíos e assumisse ele o esgotamento daquilo que são os paradigmas actuais.
Quando o Quim apela ao universo esquerdo cerebral entendo-o como um apelo à cisão, ao rasgar com o óbvio e organizado, ao impulsivo, ao criativo, à necessidade de gritar que esta merda tem de mudar, toda, tudo! no sentido em que o descrevo anteriormente. Se ele pretende insinuar a esquerda como área política eu não o entendo assim, pelo menos nos significados que transporto para este post, mas isso será ele que terá de esclarecer.
eu julguei que o apelo ao lado esquerdo do cérebro tinha algo a ver com as dimensões verdadeiramente cerebrais, qual Dr. Damásio – se é o regresso do Maio de 68 ou o “todo o poder aos sovietes” bah….
descalabro? onde? nunca se viveu aí tão bem, nunca a “moribunda” democracia foi tão generalizada, nunca se elegeu tantos representantes, nunca tantos tiveram horizontes de melhoria.
que raio de escatologia cansada …
(eu sobre essa tenho a minha opinião: é o cansaço dos ricos, o fascista medo da burguesia europeia de não ser apenas ela a consumista, de não ser apenas ela a ascender aos 70 e muitos anos de esperança de vida – está na cartilha de todo o movimento sindical, de todo o partido de “esquerda”, de todos o movimento libertário, de toda a sabujice intelectual europeia, de toda a alterglobalização: todos os benefícios para nós, enquanto resmungamos contra as características do sistema.
Lamento, mas aos 40 e tal anos, não tenho qualquer respeito (não é paciência, é mesmo respeito) por essa tralha moral e lixo intelectual, travestido de revolucionário, mera mera puta rasca da esquina do impensamento.
É um comentário muito duro, e até hesito se não o devo apagar. mas fica Zé – ainda que neste entrebloguismo nosso já mo devas ter lido vezes sem conta)
olha, se insistes em falar da esquerda e da direita, nesse tom de cansaço burguês (colei apenas palavras tuas) que teima em caracterizar o lamaçal de ideias(?) políticas entre a esquerda sindical e a direita neo-liberal, receio que não te sabia responder …
… com mais do que já respondi ao Duarte
estou-me a cagar de alto para a esquerda revolucionária e a direita recacionária e o mais que os parta, que eu estou farto mesmo é da merdice que se vai fabricando na política e na sociedade que deverá conformar o futuro onde os meus filhos vão viver e da qual (e nem sabes o quanto me custa ter de dizer isto) eu sou cúmplice. E tal como as outras coisas que passam na televisão e acho intragáveis assistir dispenso-me de comentá-las, até por falta de conhecimento.
Mas o que é que te passou pela cabeça para vires fazer um aomentário desses num blog fofo e inocente como este, que fala de intenções, filhos e essas outras coisas nenhumas bem mais abstractas que o mundo que se comenta. Estou a ver que as férias bloguistas não te amansaram
hum… com licença, e uma sardinhada um dia destes, hã?
… queu cá gosto é de sardinhas!
com batata cozida e pimentos assados…
e azeite…
e vinho tinto…
e amigos…
Vinho, azeite e amigo, quanto mais velho, melhor.
Eu também gosto de sardinhas (linda rendinha essa, Bill!)
tou a bordar…
continuo a bordar…
…
!
?
¨¨
… mais logo ou amanhã continuarei os bordados, por agora, vrrrruuummmmmmmm!
(mas este é o mais giro, não é Cat?)
hummmm!
isto…
… é mesmo,
giro
ó zé!
compraste uma máquina de tricotar…
… tu é esperto
zec, zec, zec…
queria fazer: zec, zec, zec….
E vão 29 comentos… ah!
isto é mais giro quer jogar solitaire
quarta
quinta
e sexta
prometo que vais ter sardinhas todos esses dias, até deitares azeite pelo nariz
já podes parar com o tricot
ou ir trabalhar
… se tiver mesmo de ser, claro
tá claro ó preto…
rosinha mais mal bordada!
(deixa ver esta)
que rica malha que aqui vai! E agora vou ao tricot do bill, oh yeah!