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Publicado em Aproximações, PostoMaton's, Revisitações por Zé, em 19 Junho, 2009

 

Nasceram apenas com 2 dias de diferença no calendário embora o Diogo tenha nascido três anos depois, justamente a 15 de Janeiro de 1996. Nesse dia e nos dois dias seguintes ficámos só nós, eu e o Francisco, vivendo a nossa vida algo ansiosa e desajeitada, absolutamente estranhos àquele impenetrável processo em que a mãe e o novo irmão se conheciam, agora por fora. E assim, sentindo-me inútil, e pretendendo-me útil, dediquei-me a preparar a entrada do intrometido bebé no que até á data tinha sido a epicêntrica vida do Francisco. Fi-lo com a possível cautela e dedicação e de forma aparentemente bem sucedida. Claro que a situação se tornou um pouco mais emaranhada com o regresso a casa dos dois membros da família, por coincidência, justamente no dia (ou no dia seguinte, não sei precisar) de anos do Francisco. Dedicado à causa, atento, logo me voluntariei para organizar a sua festa de anos no sábado seguinte, no que nos fomos entretendo os dois nos preparativos, ele fazendo desenhos nos convites, eu numa parte da labuta a que confesso não estava muito habituado.

 

Correu quase tudo bem. Conseguimos juntar uma bela alcateia de crianças e divertiram-se pela tarde fora e pela casa inteira. Os adultos, em particular as restantes progenitoras que acompanhavam os convivas, é que se portaram menos bem. Maravilhadas que estavam com o novo “tão igual ao pai” membro da família, de nada me valeu tentar desviar-lhes as atenções do ratinho que ali se mostrava ao mundo, elas também de mim completamente alheias e do facto do aniversariante nesse dia ser outro. Aparte isso, tudo correu bem e farto de alegria, como aliás se previa.

 

Julgava eu. Cessa-se a festa e os convivas vão partindo, um por um, até sobrarmos só nós, já não três, mas os quatro. O Francisco irradiava alegria, a mãe o cansaço e o mais novo, fazendo o que lhe convinha, dormitava. Ficávamos agora por ali a aliviar a fadiga anichando-nos em redor do novo membro. O Francisco, debruçando-se com curiosidade sobre o irmão, chama-me então para mais perto:

- Paiii

- Sim Francisco, o que foi? … Olha, gostaste da festa?

- Gostei … – diz ele.

E logo de seguida, sem se interromper, arremessa a estrondosa e fatal interrogação:

– … Mas pai, quando é que os pais deste menino o vêm buscar?

9 Respostas

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  1. Mar said, on 21 Junho, 2009 at 1:29 am

    espectáculo!
    que bom que voltaste pra nos animar a vida!

  2. Ritinha said, on 21 Junho, 2009 at 2:41 am

    Boa! :) :) :)

  3. duarte said, on 22 Junho, 2009 at 9:13 am

    para mim foi uma forma de metamalandrice…

  4. Jill said, on 22 Junho, 2009 at 10:19 am

    LOL!! Lindo.

  5. said, on 22 Junho, 2009 at 11:33 am

    Retratos, para guardar, apenas, antes que a esclerose um dia os abafe.

  6. alexandra said, on 22 Junho, 2009 at 4:19 pm

    podia ser que pegasse essa de que alguém o levasse …(tanto sse credo)
    caiu logo por terra a sensação de que a exlicação da transformação de 3 em 4 tinha resultado…

  7. madalenagms said, on 29 Junho, 2009 at 12:04 am

    Olá Eufigénio/Zé! Já tinha saudades de ler estes relatos ternurentos da vida familiar à luz das mentes inocentes que eu sei que são, porque elas são a matéria-prima do meu trabalho. É preciso levar a sério o que é sério. E os nossos filhos são sempre o lado masi sério da nossa vida. Mas são a nossa máxima vulnerabilidade. Beijinhos a todos, especialmente aos mais pequenos que não serão já tão pequenos assim.

  8. cláudia said, on 9 Julho, 2009 at 10:18 pm

    :D
    beijo.

  9. said, on 9 Julho, 2009 at 11:23 pm

    são do pior os putos, sem cartilagens de pudor, já viste claudia?
    beijos


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