das razões interrompidas
… Depois ela veio com aquele deslizar de olhos brilhantes dizendo que eu tinha razão e isso amarrou-me e interrompeu-me de todas as reacções que eu ainda pudesse preparar. Olhei-a com admiração, não porque isso me fizesse acatar a rendição arbitrária – se bem que isso do lado da razão só a mim importasse – mas, porque mais do que o que pudesse ter dito, nesse gesto com que se rendeu, assim, docemente, foi capaz de estacar a torrente de arrazoados que de mim turbilhonava e de, surpreendendo-me, deixar-me sem mais passos a dar que não fosse olhá-la, enternecido, envergonhado, desarmado, que pois assim, num ápice, me algemou. Dificilmente há na nossa relação algo de mais importante que aquele seu jeito de me fazer ver, quase sem palavras, o supérfluo que há em tanto daquilo que a minha ira atira para cima das conversas e com aquele chegar tão feminino, no silencioso sussurrado que os homens nunca hão-de aprender, a baixar-me os braços, ainda tensos, a aquietar-me as argumentações e com um beijo a estancá-las, a calar-me, a aclarar-me. E fazendo-o tão simplesmente que apesar daquilo tudo que era a minha inatacável razão e apesar da minha resfolegada vontade de explicar, argumentar, contrapor e autopsiar tudo o que nos tinha rodeado, no fundo, a única coisa que se fazia agora contar era ela, ali, comigo e eu, calando-me, saber reconhecer que era apenas isso que afinal importava. E foi por ela, por um beijo, que voltei a mim.
A minha vida tem sido isto, feita de soluços, em metade deles vituperando, na outra metade grato por me saber amansado.
Uau.
Como eu costumo dizer… quanta beleza se esconde no coração de um homem !
E mesmo acreditando nisso sem sombra de dúvida, é revigorante vê-la aparecer aqui… e ali… rs
E fez-me lembrar este outro coração masculino:
brancainpura, não se fie no coração de um homem arrependido
Zé… não me fio mais no coração de um homem do que no meu…
A volubilidade é uma característica (unisexo) do coração.
A consciência que dela temos e o agir em consciência é que fará a diferença…
digo eu às 3 e 14, o que talvez também não seja muito de fiar… rs