da cronometria dos dias
Por cada hora de trabalho que não resolvo costumo escrever uma palavra. Por vezes saem muitas. São feitos de frases grandes os dias desnecessários.
Por cada tropeção que dou, desde que me levanto, acrescento-lhes vírgulas. São proposições interrompidas, as destes dias desajeitados.
E
por cada
coisa que
hoje
não fiz
e tanto
queria
fazer
introduzo
novo parágrafo.
São
textos
esguios
os dias
que nada
são.
Mas hoje é sexta, e quase tempo de ir para casa, apagá-los, linha por linha, dermatologicamente, como quem renova cada ruga do cansaço.
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