A p e n a s + 1

Publicado em Anotações, Conversações, Navegações por Zé, em 25 Agosto, 2009

 

man over the sea !

 

(volte mais tarde)

é preciso é calma

Publicado em Lamentações, Navegações por Zé, em 13 Agosto, 2009

… que já faltou mais

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… já faltou mais

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eu era mais fatias douradas

Publicado em Anotações, Aproximações, PostoMaton's, alucinações por Zé, em 7 Agosto, 2009

Fim de tarde e os quatro pela D. Carlos I abaixo. Carpindo-se já algum cansaço acabamos por ceder à facilitude da fast food e entramos por ali adentro, alguns rejubilando, outros resignando-se.

Anotam-se então os pedidos, mas o Francisco hesita - isso nele pouco habitual naquelas circunstâncias. Por fim, trauteando contas de cabeça, interroga-me:

- Pai, eu posso escolher o que quiser pelo mesmo preço do MacMenu?

- Claro.

- Por favor, então eram 5 (!) hamburguers simples e uma garrafa de água.

- …

 

… e despachou-os a todos antes de eu dar conta do meu.

 

[a propósito, eles andam pelos algarves faz semanas, atrás da gentileza dos tios; a estes tenho de me lembrar de lhes levar dois perús e um vitelo para atenuar a perda doméstica]

sounds familiar

Publicado em Pulsações, Replicações por Zé, em 6 Agosto, 2009

 Férias !

e pronto!

Publicado em Anotações por Zé, em 5 Agosto, 2009

ao fim de duas semanas a minha menina de 9 toneladas já tem de novo as 13 sapatas firmes no chão.

laser

e agora vou ali ver se arranjo mais dois ou três embróglios que ainda falta muito para as férias.

 

(Cristina, bonita não é? era assim que a julgavas?)

Duas semanas

Publicado em Anotações, Lamentações, Navegações por Zé, em 4 Agosto, 2009

É o tempo que a espuma das férias ainda demorará para me levar com ela.

ai ai ai

(pode ser que até lá ainda consiga refrear este mau feitio)

calor, caracóis e irritações

Publicado em Anotações, Irritações, apenas mais um por Zé, em 3 Agosto, 2009

Nunca as coisas que verbalizo serão melhor ditas se forem escritas, nem tão-pouco as coisas que nascem escritas terão melhor sentido se forem depois repetidas faladas. Nós somos os vários universos da nossa capacidade de expressão, somos o desejo de sermos compreendidos e para isso usamos do direito individual de elegermos a forma que quisermos, e até nisso dizendo também. A capacidade de nos manifestarmos perante os outros vive da complementaridade das formas de expressão que empregamos, ou que não usamos, porque até no silêncio tomamos a opção de nos manifestarmos. E são todas as formas de nos ‘gritarmos’ que formam o todo, mas o todo que somos não pode ser aduzido por apenas uma delas. Que não nos peçam que falemos hoje o que ontem escrevemos, que não nos exortem a escrever o que agora falámos. Todos os homens têm a liberdade de se exprimirem como quiserem, quando o quiserem e de aí escolherem quem os ouve. Incitar alguém a reescrever-se, a elaborar de novo formas de si, por uma qualquer razão ou deleite egoísta – essa espécie de repetição a pedido do que os outros já foram ou disseram – é uma violência tão grande como obrigar-nos a fingir que vivemos de novo o que de nós já foi, o que por nós de bastante já dissemos. E é cruel. E é hipócrita.

E tenho dito: agora, escrevendo-o! (sim, abro uma excepção)

e domingo houve sardinhada, outra vez

Publicado em Aproximações, Revisitações, apenas mais um por Zé, em 1 Agosto, 2009

Hesito em escrever isto. Quase dez anos se passaram sobre a sua morte e eu continuo a teimar que as portas se abrem para os meus fantasmas. Tanto tempo e eu continuo sem crescer, para além dele.

Ouço a porta gingar mas não entra ninguém. Em outros tempos, mais próximos da sua morte, acreditava que era ele que ali chegava para finalmente se despedir. Nesses momentos costumava lançar-me sobre uma folha de papel e quase alucinado deixava que ele se fosse escrevendo por lá. Ainda hoje quando leio esses gatafunhos vejo neles a presença, não dele, mas da vontade de o julgar ali perto de mim, numa espécie de invocação que me confortava. Sei-o agora que ele continuou sempre partindo, um bocadinho em todas as madrugadas em que acordei e eu, já sem a capacidade de o inventar por ali, fui ficando mais só, até que as palavras deixaram de o saber escrever. Sobra-me hoje todo o resto do mundo, recheado generosamente com os afectos daqueles de quem me rodeei, mas olho para dentro e continuo a tocar um buraco fundo e vazado no lugar que ele tinha ocupado. Depois dele nunca voltei a ser do tamanho que tive. Os anos foram passando, os cabelos fazendo-se grisalhos, a minha vida cresceu, mas ainda assim nunca mais senti de novo a firmeza que antes já houvera sentido dentro de mim. As pessoas que nos são importantes são essas que nos fazem sentir orgulhosos de nós aos seus olhos e perdê-las é como se subitamente ficássemos sem ego, como se caísse uma cortina de vulgaridade sobre nós, uma lassidão de coisa-comum que deixamos, indolentes, ir ficando em nós.

Hoje, atento, já nada ouço. A porta não ginga, (nunca gingou) e eu transformei-me num alvoroçado coleccionador de memórias. Ele partiu sem me avisar, mais esta vez, deixando-me apenas essa parte em que sou filho, esse que já adulto nunca acabará por crescer. E sem que consiga compreender isto em mim, esta parte minha que afinal não era toda de mim, insisto em resguardar esta criança que envelheceu sem nunca ser grande, esse púbere deixado entre dois bocados de vida e que dentro de mim se continua disso a interrogar, mimado, arreliado até, da falta de resposta. Nos intervalos da sua morte, onde vivo, vou teimando em parecer o homem que nunca parou, o pai diligente dos meus dois filhos, o amigo confidente de sorriso confortante, o irmão robusto, o marido presente, o chefe rigoroso e competente, como se todas as personagens que vou trajando tivessem o fito de o imitar, de lhe prolongar em mim a sua robustez.

Por hipótese terá sido por isso que ele nunca se despediu, para que eu pudesse nesta fúria de me sondar descobrir que, melhor que ser parte do brilho nos olhos de um outro é ser os olhos onde os outros se podem ver brilhar. E isto seria assim, ele, sorrindo-me, como que a despedir-se, encaminhando-me para o lado de fora, lá mais perto de onde vivem os outros e onde nós porventura faremos falta.

Sim, um dia, como ele, também cairei. Mas não quero que ninguém sinta a minha perda tanto como eu senti a dele. Quero apenas poder partir com aquele brilho nos olhos … cheios de gente e de vontade cumprida.