Bergamo – la città alta
Desta última viagem por Itália volto mais convencido que nunca que Milão é a cidade das mulheres mais belas do Mundo. Mas apesar da sua monumentalidade – que também de pedra e cimento a tem – há qualquer coisa nela que me enfada depois de um ou dois dias de trajectos galgados ao acaso. Há um trote consumista que gira incansavelmente à volta da incontornável “Duomo” e do seu sopé de lojas, uma espécie de exaltação turística, que me irrita. Não saberei explicar melhor, mas Milão, sendo essa capital das mulheres bonitas e território de tão extraordinárias edificações históricas, e apesar disso, nada me diz.
Por isso, a meio do terceiro dia e já dispensado da missão que ali me levou, decidi lançar-me na Lombardia: escolhi Bergamo, de poucas referências para mim, quase ao acaso. Que maravilha! O contraste da sua tranquilidade quase campestre com o bulício daquela metrópole de onde fugira, os matizes quentes das suas construções a reclamar de vida e sentimentalidade contra os frígidos e apressados cinzentos milaneses, tudo ali sussurra uma natureza doce e alegre. Depois, ao fundo, eleva-se sobre uma enorme colina a sua Città Alta, de tons ocres, numa orografia de tal forma sedutora, assim alçada tão acima do horizonte plano do resto da cidade, que se insinua num chamamento irresistível mesmo para um turista tão acidental quanto eu.

Foi ali, finalmente, que desta vez pude voltar a vestir a pele de ‘viajante’, daquele que se mistura com o silêncio do mundo e se dá ao tempo sem pressa, sem querer saber de si, para se deixar mergulhar naquela calmitude rara, quase geológica, com que se deita a observar o seu redor. Há no monumental algo a que nos devemos deixar entregar para melhor o compreender, como se um braço invisível de tempo cósmico nos fosse rodeando e nos fosse amansando da pressa, serenamente, ali levando-nos a pairar, como mera partícula de gente, no admirar das obras que também o Homem, por vezes, faz concorrer com a natureza.
As mulheres de Milão são as mais bonitas do mundo, creio que já o terei afirmado, mas foi em Bergamo que me senti embolsar desta viagem. Que os sítios são como as pessoas – não basta que sejam belos, é preciso que nos façam sentir belos.

Sabes que trabalhei aqui???
a sério? e como te atreves a dizer que “milão é que é?”
Não disse isso…. Milão é linda…. mas não é a tal!!!
Bergamo é fantástica! e depois há as pequenas “aldeias” ali ao pé, com as montanhas suiças e os lagos… lindas para passear!!! gostei muito. foram tempo optimos!
Vivi 4 meses num hotel perto do funicollare para a cittá alta… ía lá jantar quase todas as noites…
Depois disso ainda lá fui uma 4 ou 5 vezes só visitar!!! Adoro!!!
Viste o relógio de sol, no chão, na cittá alta, em frente a uma igreja, penso eu???
Aí ao pé havia um restaurante chamado “Il Sole” que era a minha perdição, com um daqueles páteos interiores característicos… que nostalgia boa me foste dar, Zé!!!
eu adorava conhecer esses sítios todos.