aGREVE-se, mas primeiro veja se …

Essa forma de manifestação destrutiva será minimamente eficaz e se tem impacto sobre quem se senta (ou já nem isso) do outro lado da mesa negociações/reivindicações, ou se pelo contrário recai sobre um incauto inocente que estava ali sentado numa paragem de autocarro, na mesa da sala de aula, no banco de espera do hospital ou na salinha apinhada da repartição de finanças.

É que descarregar cartuxos de metralhadora e depois ir explicar ali àquele transeunte moribundo a esvair-se em sangue que a causa justificava tal pujança reivindicativa não parece ser a forma mais eficaz de se arranjar amigos, e muito menos simpatizantes das nossas causas.

E já agora deixo aqui conselho que diz-se (digo eu pronto) é trazido do tempo das manifestações nas minas de carvão do fim do sec. XIX no norte de frança (a contextualização geográfica e temporal é importante nestas coisas, como garante de genuinidade): nunca faças uma greve onde pressentes que as razões esgrimidas pretendem camuflar outras, e evita caminhar de braço dado com um representante sindical que nunca convidarias para jantar em tua casa. Mais tarde ou mais cedo ver-te-ás forçado a defendê-los, nem que seja num blogue.

E encerro o assunto por aqui, antes que … Não sem antes confirmar dois pontos que foram aludidos nos comentários do post anterior (posso até dizer as maiores barbaridades, mas ainda assim gosto de ser eu a escolher as palavras que ponho na minha boca): como no post anterior referi, e quero deixar isso claro, nada me move contra os professores, pelo menos contra os bons professores; e claro que conto com eles e com a escola para ajudarem os meus filhos na sua socialização, cultura e aprendizagem, enquanto eu me divirto a trabalhar.

PS: Agora para discussão mais séria sobre o assunto, no presente contexto, i.é a greve dos professores, sugiro comecem por ler este post aqui e deixem-se de seguida escorregar pelos seus comentários. Depois aconselho vejam este, que me parece a coisa mais sensata que por aqui já se escreveu sobre este assunto.

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2 responses to “aGREVE-se, mas primeiro veja se …

  • madalena

    É que ainda nos pagam para sermos felizes! disse isto, ou mais ou menos isto, um tal Prof de Português que se divertia com os rapazes, ensinado-os. O que eu quero é que sejam felizes, dizia também!
    Acho, e agora é a sério, que há, ou está a inatalar-se, uma cultura anti-felicidade nas escolas e na sociedade. E isso é muito grave! Isso é que é grave.
    Beijinhos para o Diogo e para o Francisco. Só em conjunto, Pais e Professores, podemos fazer deles os homens que tomarão conta do amanhã.
    Acredita que eu acredito nos Pais, como os pais acreditam em mim!
    (O meu pai dizia que acreditava em Deus e Deus acreditava nele! É uma fé acrescentada.)
    beijinhos para ti

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  • Paulo Guinote

    Que útil seria definir o que é um bom professor…
    Se pensa em alguém que tem uma qualificação profissional para leccionar e educar os alunos com rigor e qualidade, se aquele que acumula com as funções de animador social e baby-sitter.
    Se é o que nunca faz greve por causa do transtorno, se o que tem capacidade de distinguir quando uma greve deve ser feita.
    Só para ver se percebo…

    É que em quase 20 anos de docência fiz greve, se bem me lembro, apenas pela 3ª vez e ler certas diatribes, à la Miguel Sousa Tavares, dá-me uma certa pena.

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