Um post de carácter quase porno-bocageano, para servir de adenda às despedidas que lanço em baixo – as quais, diga-se, já ninguém leva a sério – onde são notórios alguns trejeitos reaccionários exaltados pela visão floribéllica da nação

Qual espaço alternativo e diarístico, quais blogosfera terror dos políticos e da sua comunicação social do são-todos-a-mesma-cambada, isto não passa mas é de um cantinho onde o pessoal vem “comparar pilinhas”. Exactamente, comparar pilinhas. Só que aqui não é preciso ser um garanhão para baixar as calças – qualquer portador de 2 centímetros de coisa também o pode fazer, se a vergonha lhe for pouca. Desta blogosférica virtude, a única sublimável afinal, sobrevém o vómito. Esta miséria nauseabunda do populismo desenfreado, da voracidade com que os medíocres e até medianos defendem o mesmo tom de voz daqueles que o têm por vocação, capacidade e treinamento, esta imagem pungente das (tantas) pilinhas mancas, é disso que se enche este sítio-sem-porteiro onde todos podemos escrever, e isso tão idêntico – à desordem, ao egoísmo, ao inconsequente, ao deseducado, ao nivelado por baixo – Portugal de hoje. Para pilinhas mancas basta-me a minha. E mesmo dessa, se há coisa que não escolho fazer é ficar aqui a ver, do lado de fora, a sua falta de tesão.

Adeus, adeus, adeus.

Nota: para a posteridade. Que fique ressalvado que esta não é a variação n.º 8 do anúncio do fim, posto que apenas aqui é introduzida como intento que se apensa ao post anterior, esse sim lavrado com salvas de canhão.

Anúncios

31 responses to “Um post de carácter quase porno-bocageano, para servir de adenda às despedidas que lanço em baixo – as quais, diga-se, já ninguém leva a sério – onde são notórios alguns trejeitos reaccionários exaltados pela visão floribéllica da nação

  • bill

    A isca é que engana, e não o pescador que tem a cana.

    Gostar

  • catarina

    Não sabias isso???
    Sempre foi assim.
    Por isso é que há blogs que fazem toda a diferença. Comóteu, pá.
    Caneco.
    (isso anda mau, hein? beijinhos.)

    Gostar

  • Hipatia

    Eu bem que olho por mim abaixo, mas não encontro resquício de pilinha, nem manca, nem sem mancar. Exijo, portanto, novo post a referir a falta de pilinhas, já que isto ainda não é coutada apenas do androceu e, se é para enfiarmos a carapuça, quero pelo menos ver se a mim também serve. Ainda por cima, parece que agora até há umas de abertura fácil…

    Ora!

    Gostar

  • Jill

    Permito-me subscrever as últimas 3 linhas do primeiro comentário da Catarina (que das 2 primeiras não sei nada) [desculpe-me o abuso, Catarina, mas, já que o disse tão bem…]

    Gostar


  • Bill, fabuloso, tu é que não perdeste a fala nunca, pá!!! és a prova viva de que quem tem pilas a sério não precisa de blogs para nada! E eu a sorte de ter o blog onde os teus comentários vivem e … queres lá ir ao bilhar hoje pá? Umas tacadas, inventa-se um post, um wisky, ou dois, tu fumas uma cigarrilha, eu apanho-lhe o cheiro no ar, mais umas tacadas … que dizes?

    Gostar


  • Catarina, sabia, e sei, que sempre foi assim
    eu é que não era assim. Na altura fumava e não embirrava com tudo e com todos. Hoje já não fumo e se não embirro com estas coisas acabo a embirrar comigo …
    (anda, anda)
    beijos

    Gostar


  • Hipatia,
    Eu sei (mas não me apetece ir ao google tirar isso a limpo) que também há as pilinhas clitorianas, mas no teu caso posso assegurar-te que se não vês aí nenhuma tumescência estranha é porque o teu blog não é desses das pilinhas ao léu. Cumprimentos ao androceu
    e um beijinho para ti

    Gostar


  • Jill,
    E eu permito-me subscrever a frase do Bill
    ;)

    Gostar

  • Hipatia

    Nem o teu :) Só um rabinho de vez em quando e, mesmo assim, há quem lá veja antes um coelho ;)

    Gostar


  • Desses dos outros não conta, que isso no interblogues já é mato. Tem de ser auto-rabo e auto-pila para me alavantar a (auto)indignação toda!

    Gostar


  • Que queres Zé, é a puta da úlcera. Ora vem, ora vai.

    Gostar


  • Se o meu caro amigo fosse acompanhante dos dislates deste blogue (e não mero paraquedista carpideiro) já deveria saber das suas imprevisiveis ressuscitações e desse desconforto de estar sempre a dizer-lhe “adeus”. Já no “finalmente”, aí concordo.

    Gostar

  • provisorio

    Por paraquedista (não carpideiro) que sou e ainda em adicional novato nestas andanças, não posso deixar de manifestar algum interesse e positiva perplexidade por tão clarividente se bem que… irritado escrito.
    Caso para dizer, já que antecedentes não conheço:
    Quem fala assim não é gago, ou melhor, Quem assim escreve dedos tropegos não tem.
    Votarei se possivel for

    Gostar


  • O pior é quando estes dedos andam tão mais céleres que nós ‘Provisório’, mais depressa ainda que a nossa vontade, e assim antecipam o nosso fim. E lamento-me* eu também que aqui sou espectador deste anúncio.

    *(não porque haja para continuar, mas porque houve já muito que ficou deixado, uma história que nem sempre me apetece interromper … lá está, a maldita da vaidade, a entrelaçar-me os dedos, os tais)

    Gostar

  • ponto.kom

    Mui bien… vai daí que deixamos de ter o privilégio de boa companhia e dislates sem obrigatoriedade de nexo… Bom, lamentavelmente será a vontade do autor a última a mandar – que nestas coisas de liberdade ainda há tantas que abomino.
    Não fosse isso, seria concerteza obrigado por mim, então ditador supremo, a continuar neste bafiento éter á procura de causa.
    Mau amigo, permita-me deixar-lhe um conselho: não acompanhe a penosa circunstância da tentativa de deixar de fumar com a leitura dos artigos do José Pacheco Pereira. Se uma faz mal, a outra ainda pior. É que, embora possa, um dia, ter deixado definitivamente de fumar, fumador nunca há-de deixar de o ser. Por outro lado, as leituras do JPP originam coisas irreversíveis e irreparáveis.
    É que, veja: a blogosfera é o que é e talvez seja isso que lhe dá o encanto próprio, um encanto de feira ou de concerto do Toy. Por aqui cabe de tudo… até eu.
    Mas nós sabemos que o que você está a passar é por uma simples “branca”. Deixe lá, homem… brancas todos nós as temos, algumas permanentemente…

    Abraço.

    Gostar

  • ponto.kom

    Quer dizer… isto é moderado, os comentários, não?
    Bom… aproveito para um P.S. [de scriptum]
    Já reparou que esta maravilha blogosférica lhe bateu os recordes de comentários?
    Boa…

    Gostar


  • Obrigado Ponto, ponto, digo
    Esse Pacheco Pereira diz-me alguma coisa … é o da quadratura do círculo? lembro-me que tomei o pequeno-almoço com ele durante anos num cafézinho ali ao Rato, mesmo por baixo da minha casa, e que já então o via escrevinhar num pequeno bloco de notas (o que me fazia imensa impressão, tanto fulgor intelectual antes das 9h da manhã). Tanto post, há 10 anos já, terá sido aí a origem do seu blogue? Mas sinceramente, não acho que o pobre homem traga grande mal à blogosfera, essa a magoar-se será por implosão apenas. Mais, parece-me que como blogger é daqueles que menos interage com a blogosfera e não sei mesmo se não é isso que irrita a meio mundo, o facto de ele largar prosa lá no cantinho dele e não se dignar distribuir bolinhos a quem chega.
    Quanto às minhas “brancas” tem toda a razão, tenho plena consciência de que sou um FA para o resto da vida e com isso me haverei. Já quanto à interelação disso com o fecho do blog, bem, punhamos as coisas na ordem certa … olhe que eu já tentava fechar este blogue muito antes de tentar deixar de fumar!

    Gostar


  • Bom, sigo consigo para o 2º comentário. E mais uma vez queria desculpar-me se o contradigo. Mas acontece que um vintena de comentários não é coisa que espante este autor. Aliás, posso dizer que quanto a comentários já passei por mais estados de alma que o número de vezes que anunciei que iria fechar este blog.

    Pois note, na morada antiga, algures para aí interlinkada, faziam-se serões com largas dezenas de comentários, verdadeiras salas de chat. Depois passou-se a coisas mais contidas mas ainda assim, em menos de dois anos de existência guardo lá com enorme carinho mais de 7.000 comentários, alguns deles merecendo moldura até. Depois enfastiei-me, e como qualquer miudo birrento que tem a bola decidi que afinal não queria comentários que isso me enviezava dos motivos que me traziam (espero não estar a maçar muito, as nesta hora de obituação agrada-me deixar um pouco de retrospectiva, compreende), e acabei por extinguir, melhor, impedir os comentários. E aquilo lá ficou assim tipo abrupto só que num bairro periférico onde naturalmente passavam menos pessoas á frente da janela. Assim me lancei por uns tempos, só eu e eu, e devo confessar-lhe que me agradou a escrita nessa altura, posto que, já se vê pelo que por aí deixei, a minha escrita é tendencialmente intimista, ou lá o que isso quer dizer, ou seja, o que quero dizer é que a minha escrita se escreve porque sim e mais nada. Dessa morada antiga, onde colhi a minha experiência de blogs e onde me vi entrelaçado com outros blogs e blogers, trago memórias que são indubitavelmente parte relevante da minha vida recente (seria estupido negar isso, como negar que esta gaita dos blogs nos rouba um tempo danado à vida real, como negar que a nossa vida profissional não é afectada porque somos muito organizados, como negar uma série de coisas que são quase tabus na blogosfera), mas onde é que eu ía? ah. Pois estavamos a falar de comentários. E isto para lhe dizer que apesar de no final da vida da outra morada deste blog estes já estarem fechados, por birra ou talvez por mera (in)disponibilidade minha, ainda assim recolhi em numero e conteúdo uma quase incontável contribuição dos imemoraveis leitores que por lá foram passando e a isso se acostumando (os mais tenazes mantêm-se por aqui a visitar-me de vez em quando, mais tenazes que eu por isso, até), de tal forma que ainda hoje julgo estar esse apenasmaisum no top 25 dos weblogs mais comentados de sempre (um pózinho de imodéstia a pretexto de asseverar do que lhe falo).
    Depois quando vim para aqui, abri uma nova fase de comentários (que é disso que continuamos a falar), ou seja, abri os comentários. Mas agora ausentando de os comentar, aos comentários. Eu que em tempos terei escrito um post intempestivo sobre a altivez e o desprezo de quem deixava os meus comentários em blog alheio sem a justa resposta (na verdade as razões não eram bem estas, mas sigamos em frente), a verdade é que voltei a abrir os comentários quando abri esta juvenil morada, embora optando por não participar neles. Ainda assim, e se nos focarmos nesta nova morada apenas poderá notar o novel comentador que o 1ª post da mesma, que fazia transição da vida antiga e por isso desembocava camionetas de leitores trazidos do outro blog angariou mais comentários de entrada do que este vai reunindo de saída. E ainda bem que assim é.
    E aqui acabo por esclarecer creio o que contradizia do seu comentário. Apenas acrescentar que, contrariando a practica deste blog, e numa ultima mudança de politica com os comentários, por ser o ultimo, por merecer receber os convivas condignamente, obriguei-me a descer ao salão das bebidas e assim confraternizar nos comentários.
    E como se vê, pelo número, e tamanho, era já muita a saudade que deles tinha, dos comentários, e dos comentadores

    Gostar

  • provisorio

    Assim, sendo, e lido que está o pseudo-último comentário-réplica, chego á Paliciana conclusão, se me é permitido o brejeiro tom, que afinal os tropegos dedos, que não denotam quaiquer sinais de artrite, estão apenas ligeiramente cansados, mas nos seu profundo inconsciente, ávidos de comentários e comentadores, bem como desejosos de continuar a dissertar por essa blogosfera (á assim que diz penso) afora.
    Ficará assim com o seu dono (dos dedos) a dificil decisão maduramente pensada e determinada de, finalmente dar por terminadas as sessões.
    Voltarei se possivel for.

    Gostar


  • Outra vez? Nãoooo Cap, ainda é a mesma!
    Eu demoro é um bocado de tempo a obituar-me

    Gostar

  • re21

    Já comprei uma data de ramos de flores para os obituamentos e secam sempre ;) quem se tem safado é a florista…

    Gostar

  • catarina

    Opá deixa-te estar aqui a responder, que vais escrevendo posts como os que eu tanto tenho saudades.

    Gostar

  • catarina

    Aliás, porque não? Fechas o blog, que se obitue todo lá no andar principal, prossegues aqui mais na cave, na ilusão do resguardo. Que isto da escrita, tem disso, escrevinhadores e leitores o que, sendo bom, também é mau e toda a gente sabe e acaba por se querer mais ao fundo, a ver se com menos luz e mais escadas, se se recupera a candura dos primeiros dias.

    Gostar

  • ponto.kom

    Esta é a crónica de uma morte anunciada com mais capítulos de sempre!
    E não é que está a ficar engraçado?…

    Gostar


  • Re21,não acredito que as flores sequem em Peniche. Não aí.

    Ponto, será portanto uma morte satírica, ao bom jeito dramaturgico, ponto

    Catarina, que horror! isso do a ver se vem o que já foi. Mas tens razão, isto nos comentários flui de outra maneira, um gajo fica mais descontraído, intercadeia melhor as ideias, e parece que não porque nada fica tão bem maquilhado do que se num texto aperaltado, mas o certo é que tudo fica mais natural. Seguirei conselho, esse de subviver nos comentários. Até sei onde há umas belas caixas de comentários para lá ir volta-não-volta alargar o nó da gravata, (quando funcionam).

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s

%d bloggers like this: