Monthly Archives: Junho 2007

ressaca

Hoje fecharei com estrondo a porta destes últimos onze meses. Determinarei – com a mesma firmeza com que afastei as toxinas da minha pele – que assim se encerrará um dos períodos mais complexos da minha vida, e não mais quererei saber dele nem de mim nele. Agora parece-me uma excelente altura para voltar a admirar o meu trabalho, a minha família e o meu futuro, e deixar de me preocupar tanto comigo.

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Até porque me apresto a voltar de novo à ‘minha terra’!, da qual sei que retorno sempre restaurado.


o meu inglês é muito macarrónico, bem sei

e se bem que para os espanhóis chegue e sobre, muito agradecerei a quem puder dar um jeitinho nesta minuta de fax:

Dear Sires,

During our trip in balleares we would like to visit the Parque Nacional del Archipélago de Cabrera * and, if it will be possible, spend the night of 3th to 4th of July in the Island, for what we ask your authorization. Our boat is a 57fts sailing boat, named XXXXX, and we are 3 adults and 6 children. Could you be so kind to confirm your permission by this fax number …

Oh, desculpai a gracinha. Estou em crer que a exuberância explosiva da felicidade deve ser o oitavo pecado mortal, a julgar pelo prazer que sentimos ao cometê-la.

* Lembram-se da gruta? Ah pois


mentiramente escrito

Mentiroso. Eu não, não eu, mas eu, este que aqui pouco mais alcança ser que mera caixa de ressonância de personagens fantasiados: espécie de homens de mim, inventados, que deambulam por engendrados estados de espírito que descaradamente insistem em afirmar sentir, como se assim pudessem adquirir a sua própria realidade para além de mim. E se nós homens tantas vezes queremos transformar-nos em vaporosa fantasia, já estes meus personagens, gerados nessa roupagem de letras que os torna inconcebíveis, anseiam poder ser desimaginados.

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exposição

Angústia
sobre fundo escuro, 2007
[ 397 x 272 pxls ]

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uns são apenas distraídos, outros hirsutos e susceptíveis

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(a foto daqui, via Bill)

Ele pouco ligava à história das audiências e aos contadores de visitas. Ou pelo menos fingia não se importar entretendo-se até em semear discretos mas evidentes sinais disso mesmo. Era-lhe absolutamente indiferente o número, a natureza e a proveniência daqueles que visitavam o blog, e a apreciação que dele faziam em nada lhe interessava. Só não estava era preparado para, três meses após ter reaberto o seu blog, (era um espaço intermitente, encerrando-se e reabrindo-se de acordo com o pulsar da sua própria vontade em o escrever), onde desde então editava com regularidade religiosa as suas declarações diárias de amor, ouvir da boca da sua mulher – ela o propósito de tudo aquilo – o espanto por afinal o saber activo, ao blog. E ao amor, presumiu destroçado também ele.

Matutou largamente no assunto. Ou fechava o blog ou … mas ainda tinha 5 meses de anuidade paga. Achou melhor, por isso, divorciar-se. Saiu de casa apenas com uma mala cheia da vontade em escrever novas declarações de amor e um par de peúgas, um provável endereço anónimo na Internet onde se poderia reinstalar, e o seu amor próprio, já só quasintacto, na algibeira da direita, até que encontrasse uma nova personagem para o seu amor.


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