diálogo com um filho desencantador de serpentes

 
 
- Dioogggggooooo! Cala-me esse pífaro por favor.
- Oh pai, isto não é um pífaro. É uma flauta.
- Mas filho, eu já não aguento mais esse assobio, tem dó!
- Eu nem sequer estava a fazer barulho! Estou só
  a aprender uma música
- Isso já eu vi. Mas também, porque é que te deram essa
  ladainha oriental?
- Não, não é a ladainha, é a cantanamera
- É a quê? a Guantanamera? olha que não.
- Ai é sim, olhe aqui no livro
- Mas … bem, não a estava a reconhecer. Tens razão, pronto.
- Então já posso tocar agora?
- Nãooo! Até eu a conseguir reconhecer não podes traulitar
  isso ao pé de mim. Se quiseres vai treinar para o pátio
- Não posso
- Não podes?
- Não
- Então porquê?
- Porque o senhor do 2º andar do prédio ao lado começa logo
  a dizer para eu estar calado.
- Se calhar não tem ouvido para a música. Olha, porque não
  vais então tocar para o sótão
- Mas assim ninguém me ouve
- É justamente essa a ideia
- Ohhh
- Diogo a vida de um músico é uma estrada árdua e solitária,
  o que julgas tu
- Pois, e o pai está sempre a dizer que temos de estudar, e
  agora que quero ver se tiro um ‘excelente’ a música é que …
- Basta um ‘bom’, filho. A música basta um ‘bom’.
 
(e assim, num momento de fraqueza, acabamos por pôr em 
             causa todo o preparo mental para este ano lectivo)
 
 
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13 responses to “diálogo com um filho desencantador de serpentes

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