a medicina da dor

Acabo de saber que faleceu um colega meu. Mais uma vítima dessa besta que tem levado tanta gente à minha volta. Já alastrado quando diagnosticado, previa-se desde logo situação fatal. Impressionou-me a sua atitude durante uma boa parte da doença, e ganhei-lhe ainda mais respeito. Mas o inevitável aconteceu e fui testemunhando a degradação física no último mês em que a doença lhe arrancava aos puxões as últimas réstias de vida. Depois o seu espírito foi entubado, a sua vontade enganada com morfina, e o seu corpo ignobilmente preservado a oxigénio.

E assim, este homem que tão honradamente se preocupou em fechar a sua vida com gáudio e com atitude generosa e exemplar para com os sentimentos dos outros foi condenado, nos últimos dias, por uma medicina medieval, a trocar a sua dignidade e serenidade por uma dor absurda, e a trocar a morte que tinha preparado por um processo cruel de agonia, até à última gota de humanidade.

A vós, os próximos: Quero que saibam que, se …
… só preciso que saibam apenas isto, assim como o conto.


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