dias rasgados

Nove da manhã. Caminho para o trabalho. Vou só, absorto, antecipando o que me espera hoje. O portátil pesa-me e o sol ainda que aberto não amacia o frio que me entra pelo casaco. Subitamente uma carrinha estaca uns metros à minha frente. Reconheço-a e alcanço-a em três passadas largas na pressa de não a fazer esperar. Depois debruço-me sobre o vidro que se abre. Um sorriso, enorme, e todo meu, a desejar-me um bom dia. Só isso. Depois parte, e é ali que dividimos o dia. Fico por momentos parado debaixo das quatro acácias a desfiar a sua encantadora atrapalhação, a forma hesitante como se dividiu nesse partir. Ocorre-me que me quisesse dizer que hoje poderíamos não fazer assim, a separar-nos cada um para o seu lado. A carrinha dá a curva ao fundo e foge-me da vista. A manhã volta a ficar fria, o tempo acelera e os problemas que me esperam voltam a ser importantes e a ocupar-me de novo. E empurro-a até ao fim do dia. Apressadamente. Que é lá que a encontrarei de novo.

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