dling-dlong

Há dois tempos na minha vida – um que me puxa para dentro, o outro que me desfia por fora. O primeiro é circunspecto, diligente e envergonha-se do segundo. Este outro irradia de ansiedade, é vaidoso e insaciável e investe contínua e espalhafatosamente contra o primeiro. Destas que são guerras dentro de mim tudo se resolve em ímpetos, ruidosamente, com coisas do agora ou nunca. Dos combates que eles travam, conforme as vitórias que ostentam, assim resulto um homem mais ou menos sóbrio e controlado.

Mas depois descubro aos poucos que há ainda na minha personalidade mais ritmos que se me apegam: algo que não é na verdade exactamente meu, mas que de algum modo é a batuta, o diapasão do tempo que em mim meço – falo do ‘tempo’ daqueles que me vêem de fora. Em rigor este ritmo também se divide em dois tempos, conforme os olhos que olham o que em mim conhecem: são os ‘tempos’ dos que acham que em mim vive o bom-senso de um homem remediado e os que me asseveram que eu retrocedo selvaticamente a uma fase infantil onde nada se me agarra e nada se me importa. Afinal, dos outros chegam-me os mesmos tempos que em mim, agora encarados por fora.

E ficando eu assim, sem conselho apto deles, e de mim sem instinto que me resolva a natureza, lá sigo caminho, a fingir-me um só.

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