Monthly Archives: Março 2008

o mundo visto em bonequinhos por LCD’s

Quando há um problema comportamental na nossa sociedade a culpa é dO aluno malcriado. Já a responsabilidade é do ‘sistema’ quando porventura são oS professores que falham.

Quando incidentes que sempre aconteceram dentro da sala de aula por evidente incompetência pedagógica* e insciente uso da autoridade* são amplificados e distorcidos pela comunicação social para alimentar performances festivalescas à hora de jantar, aí sim, há um problema quando quer ‘culpados’ quer ‘inocentes’ não vêm nisso um problema.

* «Numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música. Patrícia terá extravasado a ordem atendendo uma chamada da mãe.» – episódio de notícia vinda a público no “correio da manhã” e no “público” de que tomei conhecimento no blogue do FJV.

PS: Eu sei que abordar questões tão emergentes e importantes como esta sai fora do estilo alegre, alheado e pueril deste blog mas, caramba, nunca li tanto enviezamento da realidade como o que já se escreveu sobre um incidente que noutros tempos se teria resolvido com um bom par de estalos , isto claro se a professora não fosse tão incompetente ao ponto de o ter provocado. (Ai, desculpai: claro que não, claro que não há professores incompetentes, o que há apenas é alunos mal educados.)

 

PS2:   Leio agora um comentário colocado no blog citado que me ajuda a perceber melhor esta (nada linear) questão:

“A autoridade de um professor não pode assentar no seu estado de espírito, no seu talento ou em qualquer outra idiossincrasia pessoal.
(…)
A verdade é que a autoridade tem que emanar da instituição que o professor serve e representa. Só essa autoridade, igual para todos, é educativa, justa e livre de abusos.
Ora, este governo, pelo desprezo que tem mostrado pelos professores, por ter posto a sociedade contra eles e por ter dificultado até ao absurdo o processo de castigar os alunos, minou completamente essa autoridade institucional.

E o professor ficou sem poder nenhum que o sustente
.”
(bold meu)

Pois, eu logo vi, eu logo vi de quem era a culpa !!!


blogoterapia

Enervam-me as personalidades engravatadas e sem defeitos de fabrico. Nem me custa sequer reconhecer que prefiro saber-me cheio de amolgadelas no meu carácter – fazem-me sentir mais autêntico e vulnerável – do que presumir-me habitar um personagem maquilhado do qual se torna inverosímil provir beijo ou açoite, riso ou arrelia.

E arrepia-me só pensar que alguém invista em fazer de si esse mero manequim onde esforçadamente esconderá todos os pedaços do seu temperamento que aparentemente se lhe revelem inúteis, improváveis ou incomodativos, enquanto com rigorosa e estudada disciplina vai soltando gestos e rasgos sensatos de um personagem fingido. Recuso absolutamente essa expropriação da nossa natureza e lamento por quem se sinta capaz de esconder meticulosamente a sua verdadeira essência em proveito de uma imagem, de um cargo, de reconhecimento ou status, de qualquer que seja o galardão que se lhe cole e que nunca intimamente lhe pertencerá.

Para além disso nada mais tenho contra as personalidades engravatadas e sem defeitos de fabrico. Apenas que me enervam, repito-o. Mas não é justo que sobre elas dobre com tal veemência a minha irritação. Já basta aos espantalhos terem de ficar ancorados no seu irrepreensível orgulho enquanto eu “levanto ferro e largo pano”, que já eu louco parto pelos esconsos da minha personalidade destrambelhada ainda eles aprimoram o risco ao lado, do peralvilho que fingirão. Mas também, que lhes importará tal sina se de tão preocupados em admirar o seu rasto nem a cabeça do chão ousarão levantar.

Ena, sinto-me bem melhor! Isto resulta mesmo


%d bloggers like this: