oxalá um destes dias não me veja forçado a sentar-me do lado de lá

Tenho andado esta semana em entrevistas para admissão de um novo Colaborador para a equipa. Estou simplesmente chocado. São já incontáveis os processos de candidatura/admissão de pessoal em que me tenho visto forçado a participar (eu é mais máquinas) ao longo dos anos. Tenho testemunhado de tudo: licenciados candidatando-se para tarefas de atendimento telefónico, gente com experiência de 20 anos disposta a (re)iniciar carreiras … ganhei por isso já algum endurecimento nestas situações em que me vejo forçado a mergulhar no universo do mercado de trabalho.

Não estou é já preparado para conduzir entrevistas desta natureza nos moldes em que me habituei a fazer. Lido muito mal com a questão até. Apesar de só ter sido apanhado desprevenido na primeira reunião continuo sem saber o que dizer quando a generalidade dos candidatos, em geral com valia para ocuparem a função, manifestam, inusitadamente, uma expectativa de remuneração francamente abaixo daquela que estamos dispostos a oferecer!

Nota: não, não pagamos acima da concorrência

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7 responses to “oxalá um destes dias não me veja forçado a sentar-me do lado de lá

  • TalvezTeEscreva

    É chocante, deprimente mesmo. O que é mais grave ainda é que essas pessoas a que se refere – “gente com experiência de 20 anos disposta a (re)iniciar carreiras” – provavelmente é gente na casa dos 40 anos e que sabe bem que até à [eventual] reforma ainda lhe faltam mais 20 e tais anos dessa dita experiência profissional!

    Em 1997, estando eu em posição disso, dei emprego como secretária a uma amiga dos tempos de escola. O ordenado liquido que lhe pagava era na altura, o equivalente a 750 euros mensais [150 contos]. Ela estava divorciada, vivia com os pais e todos os meses me dizia que achava o ordenado baixo e não conseguia viver com tão pouco. Eu achava o ordenado justo. Em 1997. Há cerca de dois anos, em 2006, reencontrei-a. Continua a viver em casa dos pais e agora é administrativa no Grupo Mello. Recebia então um ordenado liquido de 450 euros [90 contos]. Perguntei-lhe como conseguia viver com tão pouco?!? Ela respondeu-me que dava graças a Deus por ter emprego. Em 2006.

    Deprimente.

    [Caro Zé, pretoguês corrigido, por favor apague o comentário anterior a este]

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  • susana

    que bom, que bom. ja’ sei a quem pedir emprego um dia destes…

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  • Joao / Joni

    Aceitas partime?

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  • Margarida

    De facto “talvezteescreva” pagas bem de mais… conheço muitos licenciados que não se importavam de receber HOJE 750 euros.
    Mas de facto quando existe mais procura no mercado menos se exige e também as empresas abusam mais facilmente.

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  • TalvezTeEscreva

    Não, não. 150 contos limpos de ordenado [para a empresa ainda acrescia a Seg.Social e a retenção na fonte mais seguro] era, em 1997, uma remuneração normal. Hoje em dia é que está tudo errado e as pessoas resignam-se e conformam-se entre Oxalás e graças a Deus. Assim, nada vai mudar, excepto para pior porque quem está do lado certo da cadeira diz oxalá, e quem esta do outro lado suspira graças a Deus enquanto o custo de vida continua a disparar para valores absurdos e os ordenados a descerem para valores risíveis [não fosse o facto de as pessoas os aceitarem].

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  • tem toda a razão!

    (e nisto nem sequer há um ‘lado certo da cadeira’)

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  • TalvezTeEscreva

    Claro que há um lado certo, meu caro Zé, o lado certo da cadeira será sempre o lado de quem com um pequeno gesto pode fazer a diferença, mudar para melhor alguma coisa, a vida de alguém.

    [As competências estão sempre fragilizadas quando emolduradas num quadro de necessidade, de fragilidade pessoal.]

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