Monthly Archives: Junho 2008

1 !!

 

Hasta


2 !

 

(…)  apenas de caneta na mão, que sotavento e barlavento isso é para quem quer chegar. Aqui arriba-se e orça-se, que não é a rota que nos fixa, é o vento que volteia e nós que com ele rondamos.

Não há mais na navegação: ou se veleja ao compasso, ou ao vento. É a prosa cuidada, ou desvario apenas. Na rota ‘cuidada’ leva-se direcção, é desengano, é fazer do marear travessia e do mar a estrada, que não é de ali estar que se quer, mas sim o chegar mais que o ir. Pode-se lançar prosa desse mar que se cruza pela rota, mas não é assim que saberemos escrever o mar.

Ao desvario do vento, somos nós que nos levamos, que não interessa para onde, que é o ir que é encanto e chegar apenas o curto fim. Cacem-se as velas de través e gire-se o leme nos nervos do vento, trimem-se cabos e lance-se o rumo para distante, gingue-se a proa por todos os horizontes que o mar nos quiser dar, que no fim logo se emenda. Mas falha-me a frase de novo, que nessa bolina só há tempo para estar, e sonhar, e essas não são coisas que se contam.

(…) mas torna o vento e já vai tensa a embarcação, e rasga a quilha o texto na página branca que é assim que se desliza, sem timoneiro, sem vontade cônscia, apenas o mar que se escreve sozinho. E saem a borbulhar da popa voraz, as letras todas que a esteira vai largando. É assim navegar ao vento, deixar que o mar se escreva. E lá ficou o farol de estibordo, lá se dobrou o pontão de entrada, e já mais longe onde já não alcanço o texto é o mar que me leva agora outra vez. É o movimento que conta, a água que passa, é este ir assim que nada mais é preciso para chegar ao fim do texto, ao fim de nós. Mas não é mar, é apenas texto que o conta. Que o mar, esse não se deixa falar, que escrevê-lo seria encontrar o fundo de nós, e também a esse, felizmente, é o mar que não o deixará antever.

[Agosto de 2005]


3!

 

Velejar é isto, escrever sem parar, sem nunca querer chegar,
é ir, é fingir que se escreve o mar que não se sabe contar.

 


Euro 2008 (2) – conclusão

 

Gostei! Francamente. Pouco me importa o resultado. Na verdade acho que ele em nada afecta a minha vida a menos que o país onde vivo entre numa doentia depressão por causa disso. Vou esperar que não, embora tenha pouca fé nisso. Tão pouca que tenho viagens marcadas para dia 25. Vou emigrar e levo a família. Vou andar a pingar pelas ilhas gregas durante 10 dias, lançando ferro aqui, içando a vela ali, acolá mergulhando, aqui dormitando sobre o deck, enfim, se querem saber … isso é que é verdadeiramente importante.

Mas passemos de novo à análise científica do jogo.

Antes do Euro começar, publicamente, depois do Euro começar, já mais timidamente, antes deste jogo, de modo assumidamente secreto, lá fui achando que fosse qual fosse a estação onde encontrássemos a Alemanha era aí que sairíamos. Enganei-me. Não porque não tivessem mandado connosco para o inferno da derrota, mas simplesmente porque não o mereceram, ao contrário do que então supus.

Portugal jogou com garra e arte e não encontro qualidades mais exuberantes no futebol, de que nós – e digo-o sem falácias – somos os protagonistas máximos. Agora pouco interessa dizer que isso não ganha jogos, até porque a mim o que me encanta no desporto é a emoção, não os resultados, e a imprevisibilidade dos gestos e das jogadas a que eles dão sequência, mais do que a disciplina táctica e a justiça do marcador.

Por mais horrível que isto possa parecer prefiro um jogo assim, rasgadinho, carregado de emoção, bem jogado, e perdido, a um jogo pindérico, manhoso, enfadonho, que no fim nos entrega a taça. Mas isso sou eu, ex-rugbista fundado nos moldes da verdadeira cultura desportiva, o que pode ser, admito, algo insolúvel com o (árido) prazer da vitória.

Este só não foi o melhor jogo do Euro porque os Alemães não estiveram à altura! Portugal, no seu todo, foi uma senhora equipa: teve garra e arte, e isso é o que mais valorizo num bom jogo de futebol, não sei se já o tinha dito. Não gosto de personalizar, contudo, não posso deixar de destacar dois portugueses de gema, hoje mais do que os outros confirmando a excelente campanha que fizeram em prol de Portugal, que ali sim se vê o sangue que lhes corre nas veias: viva Deco! Viva Pepe!

Mas também toda a restante equipa esteve bem, ou quase toda. Na verdade houve dois que julgo seria preferível terem deixado só ficar a sua sombra na relva, (e só não digo 3 porque sou um romântico e gostava que o puto-maravilha fosse mesmo considerado o melhor jogador do mundo. Já chega terem tirado o título ao miúdo por causa de uma final na liga dos campeãos do ano passado, e não serei eu agora, por causa dos últimos 2 jogos no culminar de uma época que tudo venceu ao fim de 61 jogos, que irei ajudar à festa).

Já sobre os outros dois não posso calar as minhas palavras finais, de alguma revolta até:  mas afinal o que fazem lá esses 2 brasileiros na equipa? Que necessidade haverá disso? Porque se teima em trazer a envergar a camisola deste clube, dois jogadores tão frágeis? E com que critérios pátrios, acrescento!? Ricardo e Paulo Ferreira, para o Brasil já!!

E agora tenho de ir ali tratar de uma coisa – essa sim, verdadeiramente importante – e já venho …


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