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propósitos da “quinta do lazer” (2)

 A realidade nem sempre se desenha com contornos cristalinos e a verdade facilmente se pode tornar imprecisa, inacabada, até supérflua. Nenhuma das duas é realmente importante só por si.  Servirão essencialmente para formar uma espécie de meio-ambiente onde podemos expressar a nossa ética, mas isso só se releva num quadro de socialização. Retirando os Outros desta análise continuo a achar que a realidade e a verdade não são importantes – fazem é parte de um modelo de percepções e comportamentos sem o qual (aparentemente) não nos conseguimos medir. A sua ausência, o pavor de um dia acordarmos sem saber onde estamos e sem saber o que fomos até então, isso é que leva a que nos agarremos ao táctil e ao ético como o único modelo de partilha, através do qual o reconhecimento e a nossa projecção nos outros nos habilita e, porque não dizê-lo, nos conforma.

Mas cada vez mais admito que tomar a realidade/verdade demasiado a sério, transpô-las para além de meros conceitos cognitivos e intelectivos que são, pode trazer uma grave insuficiência: a de deixarmos de poder habitar as nossas quimeras do sonho, as nossas florestas de ilusão, os espaços onde por vezes ainda arriscamos procurar novas nascentes de felicidade e fruição. A realidade, a verdade, não são muito importantes, a menos que nos tomemos demasiado a sério, mas isso será não mais que mero constrangimento nosso.

Mas também é verdade (lá está ela, a ‘verdade’, a ajudar-nos a vincar a certeza do que dizemos) que este processo de nos fazermos evoluir para além da moral, do útil e do pertinente, dos comportamentos e das responsabilidades, o alcançar a dimensão onírica e por lá nos deixarmos enredar ainda que com regresso marcado, é um exercício exigente e preverso. E a verdade (outra vez ela), é que poucos de nós nos deixamos fazer de loucos, além de que receamos de forma absurda não sermos compreendidos.

 

Mas depois, claro, regressa, essa, a realidade. A bater portas, ruidosa, desajeitada, até frígida se lhe olharmos para os contornos e não tivermos a exaltação suficiente para admitirmos que dentro dela pode caber tudo. Tudo, de novo.

PS: na na, as férias não estão ainda a acabar e este não é um lamento descontrolado !! aliás, devo dizer que neste preciso momento me interrogo se quero voltar delas. e não falo obviamente da questão geográfica que interpomos para as fruir, a qual aliás, por mais ilusão que tenhamos, apenas nos adormece a pele. falo das férias que entranham para além da epiderme. em suma, gosto deste ir avançando de espírito toldado e vontade amaciada. desta possibilidade de acreditar que, mesmo regressando, poderei continuar assim, menos áspero, talvez menos atento. até porque a verdade, insisto, não pode ser o mais importante. admiro-os muito mas pelo menos eu não quero ser desses homens para quem a verdade é o mais importante.


retiro já tudo o que disse

$@&#%{» dos bichos. Se não são moscas são mosquitos!!

Já não há respeito pela poesia


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