Monthly Archives: Outubro 2008

Não sei quando volto


marte


ruído a mais

E vou ficando à escuta enquanto a consciência me vai caindo cá dentro até lhe ouvir o baque surdo com que a pressinto estatelar-se no fundo da minha compreensão. Gosto de a sentir calada mesmo quando ao negar-lhe explicações concludentes a acabo por martirizar assim. Há provavelmente quem não saiba, mas os barulhos esganiçados raramente revelam níveis aceitáveis de honradez – as virtudes nada têm para alardear. E por isso irei até supor que apunhalar a nossa consciência, desde que de forma silenciosa, poderá, contraditoriamente, parecer um acto de razoável dignidade.


alcoutim

 

Há sítios onde estivemos que só se tornam belos quando os recordamos. Há recordações que só se tornam sítios de cimento e cal quando as revisitamos. Há amizades que se tornam mais fortes quando por fim ficamos impedidos de as tocar. Há porém outras que se desfazem  no primeiro momento em que as precisamos de tocar.

Terei de reconhecer que nisto há uma imensa parte de mim que só desperta com o passado. Este imenso território que se vai guardando, é isto ir andando para velho?

Que seja. É bom.


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