almoço volante

Deixei-os em casa com recomendações fortes. Que iriam, sim, para o Algarve, mas que tudo teria de ser bem feito e depressa. Na conclusão de várias tarefas haveria que aprontar o almoço, por conta deles, tomá-lo a tempo, e aguardar que o tio N. chegasse para os levar junto com as primas para o Algarve. Assim os deixámos de manhã, que nós tínhamos os afazeres do trabalho, e eles que tivessem cuidado no trancar da porta ao sair. Claro que durante o dia fomos monitorizando, dentro do possível, os seus movimentos. A meio da manhã lá foram levar o primo à ‘gare do oriente’, e entrementes lá foram explicando que de almoço fariam esparguete, oh pai, sabemos sim, o esparguete do Francisco é o melhor do mundo e fique descansado que arrumamos tudo. Pois então que estava bem, lá dizia eu a contragosto, mas que se despachassem que daí a pouco estaria à porta o tio N. para a boleia acertada, lá pelas 3h da tarde.

Quando volto a ligar já não os apanho. Avanço então pelo telemóvel da simpática boleia onde sou atendido já por entre o rolar da auto-estrada. Quando pergunto se os miúdos já haviam comido quando ele lá chegara ouço-lhe o estrídulo do riso, a que se sucede logo um ‘nem vais acreditar’. Mas então o que foi?, e algum azar? – aflijo-me ligeiramente. Que nada disso, que os miúdos até lhe parecem saber tratar muito bem da sua vida. E como assim?, ou melhor, porque assim? – estranho tão invulgar e elogiosa observação sobre os mongas. E depois lá foi explicando que ao chegar lá a casa e sem maneira de os ver despachados se terá exaltado com duas ou três buzinadelas a impor a pressa. Que assim lá conseguiu que daí a pouco eles descessem com a bagagem: duas mochilas e um saco que sustinham cuidadosamente nos braço. E depois … bom, segue descrição aproximadamente textual:

Não estás a ver, nós em cima da Vasco da Gama e os putos começam a abrir o que vim a perceber ser o farnel, e tudo aquilo conduzido muito circunspectamente. Ouço os risos de incredibilidade das minhas filhas e passo a segui-los pelo retrovisor: de lá tiram um tupperware, e por entre aclamações, mais dois pratos, que estendem cuidadosamente sobre os colos. Enquanto o Francisco organiza o esparguete pelas duas doses o Diogo vai dispondo e distribuindo: primeiro o talher, e depois os guardanapos. Não estás a ver!, tu queres acreditar que até os guardanapos de pano com as argolas de plástico eles trouxeram!?

Olha, acabámos de passar Alcácer. Tudo ok, a louça já está arrumada.

 

Espectáculo! Estão desembaraçados mesmo. Enfim, talvez um pouco demais. Talvez importe embaraçá-los um pouco: Piqueniques em carros alheios?

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