agradecimentos

Rói na carne esta dor. Cessa-se finalmente este longo trajecto de angústia para sobrar apenas a perda, como um baque seco no fim de uma queda abissal cujo termo a nossa fraqueza seria eternamente capaz de adiar. Mas não é aqui que a aliviarei ou a exaltarei, a esta mágoa, nem tão pouco a partilharei. A realidade, quando se faz assim cruel, tem de ser afrontada no seu todo até que a última gota se dissipe dentro de nós. Para isso de nada serve a ilusão das palavras. Agora, com a minha família, irei guardar esta dor, transformá-la nas memórias do Afonso, fazer o nosso luto com a intimidade que lhe é devida e que tanto precisamos.

Mas não queria, nesta última vez que aqui venho a pretexto de tão trágico assunto, e antes de o levar para a minha privacidade, deixar de vos manifestar a minha infinita gratidão e admiração pelos gestos de solidariedade com que sentimos a v. acção ao longo de todos estes dias. Foram tantas e tão determinadas as manifestações do que aqui refiro que me abstenho de particularizar estes meus muito sinceros agradecimentos.

Se os milagres existissem provavelmente irromperiam assim, estimulados pela faísca de tanto querer, pelo poder de tanta humanidade. Se os milagres existissem, sei que todos vós teríeis voltado com o Afonso.

Bem hajam

 

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