escribas

cranioProduzo palavras à velocidade da luz, mas são tantas e de tal forma emaranhadas que nem tempo tenho para as destrançar, dar-lhes forma física e trazê-las para aqui. Mas já fiz um molde do sítio onde as guardei. Falta-me agora raspar-lhe os restos do cerebelo que ainda lhe estão agarrados (para não feder) e limpá-las dos cabelos que já se sabe acabarão sempre por fazer novelos em redor delas e depois, numa última fase, ainda retirarei meticulosamente com uma pinça todos os sinais da minha privacidade que porventura se tenham escondido por baixo dos pés das letras. É preciso que todas as palavras fiquem escrupulosamente limpas e perceptíveis, pois são elas que me envaidecem. E então sim, pespego-as todas aqui, jorros de palavras que o leitor poderá entreter-se a organizar. Vivam as palavras. Abaixo os crânios que as encarceram. Venha o texto. Fora a imagética que o imita. Morte às ideias. Escriba-se.


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