e lá vai mais um

Há muito que deixei de seguir e interagir na blogosfera. Falar sobre ela, interligar outros textos que não aqueles que me dão um (inexplicável) gozo aqui publicar, parece-me agora pretensioso e um assunto pífio – como se sugerisse, à falta de matéria para aqui deixar, que fossem ler outros textos, como se cada um de vós precisasse do meu aconselhamento para os seus percursos de leitura. Depois porque a própria blogosfera, enquanto plataforma da minha leitura – que já o foi até de forma quase exclusiva – deixou de me interessar tanto e não é já de todo, na sua generalidade, algo que se recomende. A maior parte dos blogues pessoais que seguia, alguns de surpreendente qualidade, foram-se cansando da escrita. Em sua substituição proliferam espaços ruidosos de conversação, espécie de aviários onde os seus autores se autosublinham e  onde até as rotinas e a preferência dos almoços é matéria de publicação. Existiam também, em fase de maior efervescência do meu interesse, alguns blogues colectivos que acompanhava também. Eram zonas criativas, sítios bons, pujantes, de forte interacção e onde a pluralidade dos seus autores se fazia sentir numa miríade de temas e de estilos da escrita. Também estes espaços eclécticos se foram mirrando de ideias até se transformarem hoje, quase sem excepção, em zonas onde se agregam pretensos jornalistas e alguns aspirantes a políticos sedentos de protagonismo de onde grasnam insistentemente sobre as mesmas coisas, reproduzem até à exaustão as sopeirices da vida política e se interlinkam numa espécie de gueto intelectual que se extasia e ignora a ralé anónima e ávida que pretendem os vá seguindo.

 

Para além de uma indisfarçável susceptibilidade que não renego terá hoje acordado comigo há contudo uma razão mais concreta para este irado intróito: o meu desanimado lamento por ver mais um blogue, dos quase nenhuns, da blogosfera que ainda visito, falecer-se. Constatar o eclipse de mais um dos já tão poucos espaços de leitura que aqui preservo é quase como ouvir a chave dar a segunda volta no trinco de uma porta que já estava fechada.

A origem das espécies” era um espaço informado, de grande pluralidade de temas e que tinha no seu autor, o Francisco José Viegas, alguém com uma escrita cuidada, agradável e serena e que teve sempre a elevação de se manter afastado desse chilreio de egos agastados que pululam por essa blogosfera fora.

Tenho pena. Resta-me aguardar que, tal como já acontecido em situações anteriores, (e contrariando o George Steiner de que cita: we have no more beginnings)  o seu autor volte a trazer-se de novo até nós, num outro gaveto deste planeta virtual.

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