Monthly Archives: Julho 2009

a vida é dura, ui ui

Há coisas estranhas:

Fui ao Algarve no fim-de-semana para cumprir com a altruista tarefa de montar um toldo debaixo de uma canícula quase carnívora o paraiso agora tem sombra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

e voltei que nem me mexo

ja nao tenho idade para isto

 … à conta das ‘carreirinhas’ sobre as ondas de um fabuloso levante!


e hoje é isso menos um bocadinho

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e já ‘só’ falta um mês

Jónicas 2008


quem vê caras …

IMAG01071Seria curioso se as feições se alterassem conforme os estados de espírito que nos habitassem – e não, não falo apenas das expressões, mas de uma transmutação completa de todos os seus elementos, desde o desenho dos olhos à curva do queixo – estes a tomarem as tonalidades da nossa disposição e afigurando os caprichos e as alterâncias da nossa própria atitude. E isso assim tornar-se  indisfarçável, e incontrolável.

A sair de manhã por exemplo e ali a cruzar-me com alguém na rua – uma hesitação, e depois em jeito de cumprimento “Ah és tu, não te estava a reconhecer assim, tão irritado!”. E logo eu a confirmar identificação, a evitar confusões e a lançar escusas também: “Mas já estou a mudar, repara que o nariz já desarrebitou. Hoje de manhã estava intratável. E tenho para mim que a linha dos olhos também já não está tão carrancuda”.

 E tantas as disposições, tantos os estados de espírito, que no emprego andaríamos todos de placa ao peito, para desembaraçar aqueles que ainda não identificassem todas as variantes dos mais recentes colegas. “Como está Sr. Dr, não tinha a certeza de que era o senhor e bem sabe …” depois estudando melhor os esgares, as rugas abespinhadas, o arrebitamento das orelhas no outro “… talvez seja melhor voltar mais tarde?”. Tantos mal entendidos que assim se resolveriam.

 IMAG0107E depois o chegar a casa, antes da transfiguração, antes do despir o trabalho e o trânsito, sem tempo ainda para a recuperação das feições, e logo um reparo carinhoso: “ Oh Zé, tu não podes andar sempre a aborrecer-te, qualquer dia arriscas-te a ficar assim, com esse nariz distorcido e a nunca mais o pores direito. Descontrai-te, vá lá”. E já mais calmo, as ventas recompondo-se, o serão a começar a fazer-se.

E ao jantar, numa tasca familiar lá do bairro: “O Sr. hoje anda com uma testa de elefante, isso foi alguma contrariedade lá no trabalho não?” – e o queixo a crescer-me de irritação, com a impertinência do homem e ele logo o notando e recatando-se “Desculpe …”

Depois já o dia seguinte. Manhã de fim-de-semana, todos alegres a acordarmos belos. Uns lábios repousados, um olhar recuperado da saudade, as rugas esbatidas na tranquilidade e já alguém a perguntar “Então, ideias para o que faremos hoje?”. E logo o Diogo, transfigurando-se na sua cara linda “Oh Pai, podemos ir ao Oceanário?”. E eu a pensar que nem valia a pena, que nada haveria melhor do que ficar por ali com aquela gente linda, a descansar o nariz, a boca, os olhos e até talvez o espírito, para a semana que se avizinharia.


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