calor, caracóis e irritações

Nunca as coisas que verbalizo serão melhor ditas se forem escritas, nem tão-pouco as coisas que nascem escritas terão melhor sentido se forem depois repetidas faladas. Nós somos os vários universos da nossa capacidade de expressão, somos o desejo de sermos compreendidos e para isso usamos do direito individual de elegermos a forma que quisermos, e até nisso dizendo também. A capacidade de nos manifestarmos perante os outros vive da complementaridade das formas de expressão que empregamos, ou que não usamos, porque até no silêncio tomamos a opção de nos manifestarmos. E são todas as formas de nos ‘gritarmos’ que formam o todo, mas o todo que somos não pode ser aduzido por apenas uma delas. Que não nos peçam que falemos hoje o que ontem escrevemos, que não nos exortem a escrever o que agora falámos. Todos os homens têm a liberdade de se exprimirem como quiserem, quando o quiserem e de aí escolherem quem os ouve. Incitar alguém a reescrever-se, a elaborar de novo formas de si, por uma qualquer razão ou deleite egoísta – essa espécie de repetição a pedido do que os outros já foram ou disseram – é uma violência tão grande como obrigar-nos a fingir que vivemos de novo o que de nós já foi, o que por nós de bastante já dissemos. E é cruel. E é hipócrita.

E tenho dito: agora, escrevendo-o! (sim, abro uma excepção)

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