das (veloc)idades estonteantes

E dou por mim a interrogar-me o que me move, que energia é esta que temos dentro de nós que por vezes nos faz derrubar montanhas e noutras nem para um sopro de vela. Sei que ela se consome, como uma bateria correndo vida que por entrementes se vai carregando mas que no geral vai acumulando um desgaste voltáico inestancável. Porque é incomparável, basta deitar o olhar para trás (ou ao lado, para a descendência), para perceber que há na nossa juventude uma energia ávida que nada tem a ver com este espojar contemplativo onde nesta idade, habitualmente, nos consentimos sentar.

Sei que ela – essa tal fuligem energética – se vai, e que eu me domestiquei em saber aceitá-la ir. E agrada-me pensar que tenho por diante, seja coisa longa ou curta, a hipótese de não me cansar, de fazer os ritmos ao som da dança cá dentro, seja isso desenfreado ou provavelmente, como agora, mais plácido. Mas não ter, não me apetecer e não fazer, isso, não me querer lançar desmiolado no coliseu das pressas que andam por todo o lado, é um deleite que se usufrui plenamente só depois de algum calcorrear na idade. São as cicatrizes orgulhosas da preguiça.

Dantes corria para me garantir que ia acompanhando a velocidade do mundo, julgando-a a ela também a da vida. Agora deixo-me ir, lânguido, folgando com a paisagem, tranquilo por saber que, por mais que ele avance, terá sempre, no adiante, tal como a vida, que aguardar por mim.

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