a ‘coisa’ como eu acho mas explicada por quem sabe

A partir de um comentário no ‘Blasfémias’ acabei por encontrar quase acidentalmente este espaço, que se introduz assim:

“As ilusões terminaram para as chamadas sociedades desenvolvidas. Nos próximos anos, cairão, um após um, os respectivos ícones: a energia barata, o estado social ilimitado, o pressuposto do desenvolvimento e crescimento contínuos, o equilíbrio social, a democracia. Situações que aquelas sociedades consideram como conquistas para a eternidade, como direitos adquiridos.

Na sequência desse processo, será necessário reconstruir tudo de novo e criar uma sociedade que, sem roturas, possa gerir a redução incontornável da riqueza disponível. Ou seja, uma Nova Sociedade. O que será incontornável para todos os países desenvolvidos, apesar das diferenças de impacto que cada um terá de gerir nos próximos tempos.

A globalização, a demografia mundial, a tecnologia disponível, o crescimento de grandes países em processo rapido de desenvolvimento, a escassez de matérias-primas essenciais são apenas realidades que conduzirão aquele destino. Já não está em questão se vai suceder. Nem quando vai acontecer, pois já começou. Resta apenas saber como se irá proceder à adaptação à Nova Sociedade e quão abruptos irão ser os impactos daí advindos.”

Concorde-se ou não com tudo, trata-se de uma análise muito bem estruturada em 21 pontos.

A ler!

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2 responses to “a ‘coisa’ como eu acho mas explicada por quem sabe

  • jpt

    pode ser que sim mas não percebo por que é que o conjunto das sociedades e economias mais desenvolvidas verão a riqueza reduzida aquando do generalizado desenvolvimento (ou, pelo menos, crescimento económico) de grande parte do restante mundo. é uma visão catastrofista? ou talvez não seja mas será pouco complexa na leitura das possibilidades do desenvolvimento generalizado

    (não li os 21 textos)

    depois há outra coisa (e estou a escrever porque me dizes que encontraste isto no Blasfémias, blog porta-aviões que não leio há muito tempo, fartíssimo da parvoíce militante, diário, uma cabotinice inintelectual do João Miranda que conspurcava bons bloguistas que lá andavam): durante anos cada vez que os democratas europeus questionavam e afirmavam a necessidade da defesa das democracias e das suas características (por vezes contras esquerdalhices inconsequentes, outras vezes contras as musculaturas direitistas) vinham os cabotinos mandar bocas que essas preocupações eram “comunistóides” [diga-se que quando novo tudo o que eram preocupações com o “estado da arte” era desvalorizado com a parva expressão “pseudo-intelectual (de esquerda)”. Agora de repente os teclistas abonados, e os comentadores residentes pelos vistos, descobrem que afinal há questões sobre as democracias que têm que ser defendidas e discutidas. Honestamente ou o escriba é imberbe e merecerá a atenção ou a ser já crescido (mas se fosse crescido não se apresentava no blog como o anónimo “Gonçalo” e isso são coisas para as quais não tenho mesmo saco) e anda a botar no Blasfémias mais vale dizer “tarde piaste” (e ainda para mais restrito a contas de deve e haver a ter que somar zero, pelo que se adivinha do argumento que aqui longamente citas). E para pios tardios em sacristias que se dizem mas não são blasfemos vou ali e já venho.

    prontos …

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    • eu não diria sociedades mais desenvolvidas, mas sim, no quadro de análise, mais obsoletas. a europa está velha, todo o mundo ocidental, falido na receita que descobriu há tantos anos e com o orgulho suicida de não reconhecer que tem de mudar, urgentemente, na forma como produz riqueza, na forma como a distribui, na forma como a gere política e socialmente. querer continuar a imitar-se e sobretudo continuar a competir com o ‘novo mundo’ que agora com ela brinca em condições de absoluta desigualdade (e não vou propositadamente entrar no argumentário político) é paradigmático dessa imobilidade e soberba. bem a propósito é querermos fazer desta nossa crise ocidental um problema mundial quando nunca dois terços do mundo viveram tão prosperamente (apesar da miséria que nele ainda se contem). e isto somos nós, eurocêntricos, da mesma gema que aquele americano que diz que o iraque fica ali na américa do sul, pois que é esse o limite da periferia do seu discernimento.
      É por isso, e sobre o documento (mais que um blog) que anuncio, vejo interesse de ouvir outras vozes, diferentes discursos prospectivos, tudo o que possa ser uma visão diferente do ‘mais do mesmo’ desta tragédia onde a nossa compreensão se encontra imobilizada… tudo o que nos possa ajudar a ser mais criativos, positivos e humildes.

      Quanto à segunda parte do teu comentário: sabes bem que sou apátrida nisto dos blogs. leio o que gosto e nem reparo onde o faço. estou muito longe das identidades in-blog e mais ainda da senda política que entre eles se trava. se tivesse apanhado (todo)este texto no Blasfémias anunciava-o na mesma, pois que é a ele que relevo e não ao que o rodeia ou a quem o escreve. Não o fazer porque o seu autor é comentador, acidental ou não, anónimo ou não, do blasfémias, é para mim algo de contraditório sobre a forma como desfruto (levianamente) da informação que me habituei a colher por aqui.

      O amigo é que é dessas coisas da análise para além do texto … eu cá fico-me pelo texto, um parágrafo aqui, outro ali, e pouco me importa o livro que o guarda.

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