rebobinado

 

As bobines espojavam-se pelo chão desarrumadamente e de dentro de algumas, semiabertas, derramavam-se em despenteio as películas filiformes. Olhava à sua volta ainda com a nova fita nas mãos e desalentado conferia uma e outra vez as datas, personagens e locais gravados nas tampas arredondadas de zinco, procurando-lhes lugar naquele enorme mar de histórias sem ordem que cobria todo o estúdio. Anos e anos transformados em desgrenhados cabelos de celulóide. Pontas de filme a mais para que um dia as ousasse juntar.

Todos os dias trazia um novo sketch cheio de personagens e argumentos que para ali atirava, sem mais uma vez se ver capaz de dar sentido à longa-metragem que há 48 anos tentava montar.

originalmente publicado (em 2005), aqui

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