Monthly Archives: Agosto 2011

palavras sem carne

Para que servem as palavras

se nem aos homens que agora me moram por dentro

se nem a esses assim tão perto,

têm destreza para me juntar.

Bastaria inventarem um intervalo morno de fim da tarde, porque não

e ali, ali umas cervejas, a molharem a galhofa

e claro, imensos risos a cruzarem o alvoroço de sempre

e imensas conversas

imensos futuros.

E depois, nós, tantos, nós já tantos

um clarão intenso dos homens que ainda iríamos ser,

em abraços de olhos quentes, mas já sem carne,

sempre com as mesmas palavras interrompidas

a despedir-nos de novo,

antes de partirmos

de vez.

 

E nós já tanto menos.

 

(porque são sempre tão bonitos os dias em que as minhas pessoas partem?)


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