no reino d’Al Andaluz

Mais um meeting, desta vez em Granada. Em geral prefiro conhecer as terras calcorreando-lhes as ruas, mas nesta não podia deixar de refrescar as memórias quase apagadas que tinha do Alhambra.

Para além da engenhosa arquitectura mourisca e dos detalhes da sua arte (ainda que algo aplacadas pelo fervor católico quinhentista e por várias camadas renascentistas), o que mais me conquista neste lugar é a forma como ele domestica e enaltece a natureza: são os cursos de água e a forma como estes contagiam de exuberância tudo o que encontram à sua passagem, mas sobretudo a abundância da vista, esse maravilhoso ecrã que as suas construções nos oferecem sobre o mundo e a tranquilidade com que essa distância de observação nos parece envolver.

Alcanço agora o Alcazaba e recordo-me da vez anterior, faz muitos anos, que por lá andei. Primeiro lanço a vista pelas cercanias do Alhambra e por Granada,

 

 

e depois volto-me e procuro-a, na parede do torreão por trás de mim. E sorrio. Sorrio da minha memória de quase vinte anos, ali, reencontrando-a, mas também da forma como ela distorceu, para sua conveniência, o que agora leio. A bem da verdade do dito, fotografo a inscrição, conforme lá consta, pois é assim que nela se diz tudo:

 

Fica aqui a desculpa pelo adultério que dela fiz durante anos, em bom português:

“Dai esmola, mulher. Que não há pena maior que ser cego em Granada.”

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