despindo as escoras do céu

 

 

 

 

Têm um ar entumecido, as traves que me escoram o sótão, de casca enrugada, qual cara de velha, aqui e ali lavrada pelo caminho do bicho que durante anos a fio a manjou.

Entrego-me a despi-la. Primeiro arranco-lhe a pele desvairadamente. Depois, sentindo-lhe já o aproximar da carne mais rija vou-me tornando mais brando. Passo-lhe finalmente a lixa de grão fino. No fim, um sopro sobre a última capa de serragem, de tão fina e leve a fazer-se de nuvem. Passo-lhe a mão e sinto-lhe a lisura da carne, agora dando-se ao tacto. O macio do eucalipto, meu Deus.

Que maravilha poder sentir-lhe o toque do belo de novo e saber ser eu quem lhe destapa a fealdade que, durante mais de um século, a encarcerou.

 

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