o almoço de sempre

Por fim, após quase um ano, voltamo-nos a juntar para o almoço mensal. Fazemo-lo desde sempre, desde os tempos imemoriais que já nos recordam, em geral quase sempre os quatro. Mas de há um ano para cá, por falta de quórum, tínhamos interrompido. Nunca elaborámos sobre isso, mas de cada vez que ele deveria ocorrer, tem faltado sempre um.

A conversa é a do costume. Aqui e ali um actualizar dos últimos tempos, breves resumos das nossas vidas, alguns a deixarem-nos mais surpreendidos a nós mesmos que aos outros que nos escutam. Os amigos são isto também, acho, a capacidade de (a eles) nos contarmos sem algodão e nisso nos escutarmos com as verdades que nos foram atravessando e que tantas vezes em nós encobrimos. Mas nunca há muito tempo nestes almoços, sempre a correr, quase só intervalos nas rotinas do trabalho, um quase nada só para pôr a conversa em dia que o resto logo se conta da próxima vez.

Mas, nas despedidas, a pressa que se aquiete, que aí a coisa demora o que for preciso. Saltam mais algumas novidades, soltam-se as risadas que recordam as maluquices que se faziam, lançam-se datas para o próximo almoço, todos os motivos servem de hesitações para partir. Há algo nestas despedidas que nos faz saber que, seja como for, enquanto dois de nós nos sentirmos capazes, haverá sempre mais um almoço, com todos.

Finalmente lá nos damos em partir. Abraçamo-nos, os quatro. Depois, um por um, cada um de nós os três, segue o seu caminho.

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