Lousa,

Lousa: João, eu, Ana Teresa e Andreia

Lousa: João, eu, Ana Teresa e Andreia

Nessa altura acreditava que o mundo era pouco mais do que aquilo que ficava para além dos limites interditos do abrunhal da Lousa, que as pessoas se avizinhavam de forma natural e simples como quando me juntava para uma foto com os meus irmãos e que o desconforto era pouco mais que aquela ligeira brisa fresca trazida da serra que abafávamos ao vestir uma camisola mais grossa.

Depois o mundo tornou-se mais complexo, encheu-se de gente, nem todos gente, tudo se tornou incomensurável e indecifrável e o desconforto passou a ser algo que por vezes ia para além da epiderme e que não se resolvia com um agasalho. O fim da Lousa, quando por fim nela repousaram as memórias das (intermináveis) férias grandes da minha infância, coincidiu com tudo isso, uma cruel puberdade que nos foi abrindo o mundo, e onde as fotografias deixaram de ser capturadas a preto-e-branco por entre um intervalo da brincadeira.

Um local pode ser isso, o mundo antes de ser o que depois foi, hoje igual a tantos outros mas, ali, eternamente aprisionado na ilusão da nossa infância. Um local pode ser uma parte da nossa idade. Pode. É-o. Que somos nós se não isso, uma mistura ininteligível de partículas dos locais onde já fomos.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: