delírios da pré-alvorada

grécia 2009Partir, mas partir a desimaginar portos, ancoradouros e tudo o que nos faça chegar, ir apenas, zarpar, vagabundear no sopro do vento, deitar borda fora a vontade, os horários e os planos no passar de uma vaga qualquer, adormecer no fio do horizonte e acordar com o rugir dos cabos, desinteressado do que virá a seguir, simplesmente partir, nem ir nem ficar, sem que importe seja verdade ou mentira, improvável, impossível ou inadmissível, largar todos esses ‘in’s engravatados na esteira revolta desse caminho de abrir mar, que só aí, verdadeiramente, quando o mundo nos engole e o tempo é uma distância adormecida e tudo o resto que era antes tão importante morre agora submerso na imensidão calada do mar, só aí encontramos a janela que nos deixa espreitar para dentro de nós.


One response to “delírios da pré-alvorada

  • ZeB

    nota para mim: parabéns! finalmente conseguiste escrever um parágrafo à la Saramago – tanto assunto, tanto virar de rumo, e nem um ponto, só vírgulas para darem a pausa do respirar …

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