paris texas

Há filmes que são indiscerníveis da sua banda sonora. Que me lembre (e este ainda recordá-los selectivamente é o destaque que os diferenciará), foram três ou quatro, todos mais lá para o lado da minha juventude. De todos comprei o album com a banda sonora, eu que era pouco dado a gastar dinheiro em vinilos.

Ouvi-o obsessivamente durante anos, a sós. Era o meu album de exercitação para alcançar aqueles momentos melancólicos que por razões que desconheço gostava de cultivar no final da minha adolescência. E tantas foram as vezes que acabei por estabelecer que no Paris Texas é a música que vemos e que o filme apenas existe para ajudar a olhá-la. Era uma música com carne, com vida, com feridas, tão fácil de tomar para nós que qualquer imagem (cinematográfica) que se lhe associasse, por mais extraordinária que fosse (e era), era apenas ornamental.

Vem isto a propósito da morte, ontem, de Harry Dean Stanton, o actor do filme, ou melhor, o figurante principal da sua melodia. Já o Ry Cooder, imortal, ainda por cá anda, tal como a nostalgia dos seus acordes permanece cavada em mim.

Post-Scriptum de 15 de Julho: No ‘recato’ do facebook chama-me a atenção o meu amigo Duarte para a indesculpável omissão à Nastassja Kinski. Aproveito para esclarecer que não só não está omissa como sobre ela recai o meu arquejo final do texto, onde, de modo recatado, suspiro pela … “nostalgia dos seus acordes”

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