Para quê inventar se não for o implausível?

sotao

Um texto que nunca chegou a ser escrito, uma tela velha de branca, um naco de madeira sem um jeito de formão, não deixarão de ser o que sempre foram. E sendo isso, nesse estado óbvio e paralisado do que não lhe fizemos, são também a prova do que nunca serão. Quantos ventres de destinos murchamos de cada vez que simplesmente nada fazemos? Quantas ideias de futuro assassinamos por minuto até que nos sobre apenas este, o único, o provável, aquele que nada pede mais que esta preguiça ignava que nos carrega por diante? Para quê mais, para quê mais que um texto que nunca chegou a ser escrito, para quê um traço de tinta numa tela velha que há de envelhecer ainda mais sem que ninguém se importe, para quê inventar afinal – e tanto trabalho, tanto barulho – se não for o implausível?

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