de uma tela branca …

Em todos nós corre uma torrente artística. Na maioria das vezes um avisado pudor acaba por a conter da vista dos outros. Noutros casos, mais desafortunados, basta um pequeno clique para esbanjar essa deriva da criatividade em acidentes bem mais reprováveis. Normalmente isso ocorre com a idade. Os idos dos anos levam-nos a querer fruir do que não serve absolutamente para nada e, estranhamente, é daí que recolhemos o prazer. Admitamos que um qualquer indivíduo um dia se dispunha a pintar, não porque fosse dotado ou porque alguma vez pendesse para a realização artística, nem tão pouco porque já o tivesse previamente experimentado, mas apenas porque sim. O que normalmente o impedirá é a falta de balanço. Nada em seu redor estimularia a que esse excêntrico desejo passasse disso. Mas admitamos que subitamente acorda e vê na sua frente um tripé, uma tela em branco e uma caixa de óleos. E dia após dia, no acordar, a mesma imagem, sem nada já que o trave a desafiar razões, nem argumentos para deixar de as ter. Pois é …

2009
… um destes dias terá de ser.

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