dos dias d’antes, dos filhos e do cansaço

Os últimos dias têm-me engolido. Nada mais me atravessa que não esta enxurrada de trabalho. Nas frouxas folgas, sem saber o que delas fazer, entretenho-me a inventar mais trabalho. Aos dias que virão vejo-os como tijolos amontoados, todos iguais, e cada dia um mais empilhado, meticulosamente acimentado numa parede infinita cujo único propósito é tapar-me o mundo.  Assim ando eu.

Sei que passará. Hoje, antes de fechar, venho aqui. Deambular pelos textos que escrevi em momentos e estados de espírito tão distintos é a melhor forma que encontro para desmentir esta sensação inexorável de fundo da caverna. Dou com isto:

E ainda assim, disso já conscientes, na maior parte das vezes continuamos sem ser capazes de os olhar sem aquele orgulho mesquinho que anseia vê-los como uma espécie de versão aumentada e melhorada de nós. Pouco nos importa como lá chegam, importa que cheguem (como se fosse possível simplesmente ‘chegar’), e que cheguem bem, sem arranhões (como se estes não fizessem parte da narrativa da nossa pele). E assim, fazendo-nos destinos dos nossos filhos, lá teimamos em ignorar quão importante é eles poderem ir olhando para trás e verem o seu próprio trilho, e admirarem os sítios que traçaram e poderem disso, (aqui eles, não nós, importa insistir: eles, não nós, eles, sem nós, eles), orgulharem-se.

que fui buscar aqui. Hoje não o escreveria assim.

De qualquer forma, hoje nada teria para escrever.

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