da madeira

A escrita, como qualquer lugar de criação, é um espaço de felicidade. Não o afirmo como fugitivo, pois é lugar que me está vedado. Sou apenas um criativo sem dote, um homem que por um qualquer acaso genético vive carente do movimento da criação, mas que por óbvias insuficiências artísticas olha rabugento para a sorte de alguns outros. Enfim, sou um apátrida, sem território para a expressão. A carpintaria, a forma e a macieza da madeira, é o que encontro mais próximo dessa sensação que me foi vedada. Nisso nem aspiro alcançar qualquer estrato artístico, mas tão sómente olhar-lhe a forma acabada, tê-la depois do nada, filha minha. Há quem da escrita esculpa verdadeiras peças de arte, outros, dela, só fazem cadeiras. Uns nascem enleados por esse dote, outros resignam-se a trabalhar com as mãos. Um dia, neste entardecer da idade, será a madeira que me ajudará a copiar essa felicidade. A marcenaria será a minha megera da arte.

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