Monthly Archives: Abril 2020

da natureza

A primeira casa que habitámos tinha um terraço virado a poente com vista sobre a ‘mãe-d’água’. Era o melhor espaço do mundo para pousar o fim da tarde. Aí, num canteiro abandonado, sobreviviam um hibisco e uns pés de beldroegas. O hibisco perdurou por mais três lares e 28 anos depois ainda medra no meu pátio. As beldroegas consumimo-las em deliciosas sopas.

É assim, nem tudo pode ser mera poesia. Há coisas que fazem mesmo falta.


façanhas entre paredes-meias

A 27 de Março, já desgastado com tanto recolhimento e tele-trabalho, ensaiei bater umas bolas de padel no meu pátio.

A coisa não correu bem. Em pouco menos de meia-hora tive de reconhecer que o recinto não estava devidamente adaptado às minhas capacidades.

A explicação vem com a mensagem que enviei aos meus vizinhos, por whatsapp:

 

As respostas, de ambos os logradouros chegaram prestes e agradáveis. Mas antes é importante fazer notar que, a partir do meu recinto, tinha dois muros pela frente, sem visibilidade abaixo dos 3 metros e que o local de ‘encestamento’ distava pelo menos uns 10 metros…

 

 

Para quem não perceba o alcance de tal façanha diria que, se mesmo por uma misteriosa alquimia de ADN’s inventassem um misto de Nadal e do Cristiano R., nem ainda assim essa espécie de super-andróide alcançaria tal feito. Fique por isso registado para os tempos que hão-de vir.

Para aqueles, ainda assim, cépticos sobre esta capacidade ingénita de alcançar feitos atléticos verdadeiramente extraordinários e que ainda possam ser induzidos na torpe ideia de que isto é pura vaidade derramada ao vivo, não me contenho de referir que, algures nos confins deste blogue, por altura do Euro 2004, quase igualei a velocidade de chuto do Roberto Carlos – então o terror dos guarda-redes e de quem até se contava ter sangue a escorrer das unhas quando descalçava as chuteiras, tal era o impacto na bola. E assim dizimei também todos os records daquela barraca da “Funzone” e deixei os fadistas de queixada caída, a mesma que antes do meu arremesso gania um “olha o velho, olha o velho”. E mesmo que isso, também isso e apesar disso, não vos importe muito, importa-me a mim que durante pelo menos uns 2 dias fui o super-herói dos meus filhos.

Podem querer continuar nessa vossa vidinha pacata de cidadão comum, mas ao menos concedam o mérito a quem o merece e sabe fazer diferente apenas com um balde de zinco e uma bola de padel. E chega. Basta-me apenas a vossa vénia.


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