Category Archives: Aproximações

sobre um carneiro cabrão

Em tempos idos, antes das redes sociais, a blogosfera, com uma vasta camada de autores anónimos que se interligavam e interagiam, era o que mais se lhes assemelhava. Para se tornarem mais funcionais os blogues estabeleciam entre si hiperligações permitindo assim que através deles fossem encaminhados leitores de uns para os outros. Raro era o blogue que não tinha a sua lista de preferidos numa coluna do lado. Eram essas ligações que acabavam por estabelecer o mapa da blogosfera – era possível começar de manhã num blogue, seguir desse para outro e depois para outro e assim dar a volta a quase toda a blogosfera. Alguns bloguistas eram relativamente selectivos e apenas linkavam os blogues que verdadeiramente apreciavam e liam, mas outros casos seguiam uma regra idiota de reciprocidade, uma espécie de cortesia baseada no “tu linkas-me e eu linko-te, mandas-me leitores e eu mando-te leitores”.

O intuito óbvio era portanto fazer crescer tráfego a partir de listas de outros blogues. As audiências eram nessa altura o ‘egómetro’ dos bloguistas, mesmo que se tratassem de visitas erráticas e efémeras com visitantes que nem um título de um post perdiam tempo a ler. Eu ‘dessocializei-me’ muito cedo. Ainda habitava o meu blogue anterior – há mais de 10 anos portanto – fiz desaparecer a minha coluna de blogues preferidos e tornei-me um ermita da blogosfera. Na altura de maior fervor recolhia regularmente 1.500 visitas por dia. Uns meses depois de ter acabado com essas listas confrontei-me com a tranquilidade de pouco mais de uma centena de leitores, os que efectivamente aqui pretendiam vir, fora dos canais de tráfego.

Mas nunca deixei de linkar um texto ou um blogue, assim guardando neste meu acervo a possibilidade de no futuro o poder encontrar. Este espaço, dentro dele, tem algumas dessas ligações, mas a maior parte infelizmente já não vão dar a lado nenhum. Outras, poucas, ainda terão do lado de lá o registo da escrita que então me terá maravilhado. Esta enorme prelecção apenas para dizer que continuarei a trazer para aqui textos dos outros, sempre que estes me deliciarem. E que o continuarei a fazer com extremoso critério, sobretudo para aqueles em que receio pela sua natureza volátil, como é o caso de textos que esvoaçam vertiginosamente pelo facebook.

Hoje foi o caso. Já sabes Nuno, quando não souberes dele, é só vires aqui ter (sempre me ajudas na audiência do blogue).

Crónica duma vingança.
OS ANIMAIS

Uma vez, quando ainda era um puto, delegaram-me a responsabilidade de pastar um rebanho de lindas ovelhinhas. Mas nesse rebanho havia um carneiro meio louco que me atacou impiedosamente. Tive de fugir a sete pés. Não foi fácil, fartei-me de correr de árvore em árvore até encontrar um porto seguro.

Não pensem que nessa fuga me escondi atrás das árvores, não fui covarde a esse ponto. Normalmente, quando os carneiros marram contra uma pessoa que esteja de pé param antes e, levantando-se sobre as patas traseiras, caiem depois violentamente sobre a vítima. Foram essas coreografias guerreiras, que a fera dançou antes de cada marrada, que me permitiram encher o peito de ar e ganhar fôlego para os sprints. Esses momentos serviram-me também para me defender e de alguma forma até para retaliar. Sempre que aquelas esmagadoras centenas de quilos se ergueram no ar diante de mim, eu aproveitei para me esquivar e me pôr novamente em fuga até à árvore seguinte. Assim fui avançando prudente e metodicamente, deixando para trás o pobre animal a repetir as violentas marradas, desferidas nas cascas ásperas daquelas enormes e inabaláveis árvores encontradas pelo caminho.

À primeira vista a minha atitude pode parecer uma reacção inocente e infantil, mas garanto-vos que foram gestos conscientes e vis, de premeditada e infame vingança, aqueles que retruquei. O meu desejo era que o carneiro ficasse prostrado por terra, com o crânio rachado ao meio, a esvair-se em sangue, sozinho, em morte lenta e agonizante.

Mas, agora, quando penso nisso envergonho-me, fico mesmo exaurido de remorso. O carneiro fez apenas o que um carneiro está destinado a fazer, marrou. Por mais obtuso que o animal fosse não merecia ser humilhado e castigado daquela maneira.

Se tivesse sido hoje, teria agido de forma completamente diferente. Ao longo da minha vida fui ganhando alguma sabedoria e, com ela, passei a ter outro respeito pelos animais. Se tivesse sido hoje, eu teria pacientemente domado a besta, tosquiado o seu pêlo, feito um casaquinho quentinho com a sua lã e, a cavalo no seu dorso, teria partido alegremente à descoberta do mundo cheio de aventuras. No regresso, sacrificaria a besta com toda a solenidade e organizaria um belo churrasco para festejar em sua honra.

Às vezes pode não parecer, mas os animais também são nossos amigos. Lembro-me com amizade desse carneiro. Cabrão do Carneiro.”

Nuno Fonseca


do abrunhal

O abrunhal, lá na beira baixa, um território incontornável das férias grandes da minha infância onde recebíamos com incontido entusiasmo as indicações dos seus espalhafatosos planos, esquiçados debaixo do enorme medronheiro que vigiava a azinhaga de acesso, ficou hoje mais desabitado.

E nisto também a constatar que, dos homens do meu sangue, sobramos já quase só nós, agora os mais velhos. E o medronheiro, na sua abrigada eternidade.


25 anos, no embaraço de os saber dizer

E depois, ocasionalmente, no acaso de uma foto, tudo fica dito

Paris

Paris, Set. 2016


cúpulas

Ao todo eram meia dúzia de crianças que estabeleciam pontes entre si de acordo com os motivos, os momentos, os seus traços de personalidade e a proximidade da idade, apesar de, como em todas as alcateias, existirem alianças naturais, mesmo que estas não fossem reconhecidas de modo cognoscente. Assim, os dias entrecruzavam-se-lhes com motivos de escola, de rua, de amigos, de jogos, enfim, daquilo que preenche as vidas das crianças.

O mais novo preenchia-os fazendo desenhos, desde que gatinhava. Essa disposição foi crescendo consigo e tornou-se uma óbvia inclinação vocacional que se acentuava com o passar dos dias e dos anos e que o mantinha dedicado às suas folhas de papel. Como todas as crianças precisava de estímulo e reconhecimento, procurando assim a paga do seu esforço e o encorajamento necessário à sua dedicação. Para isso era principalmente o segundo quem ele procurava.

Acercava-se dele com aquele ar inocente da idade, hasteando uma folha rabiscada na mão, sempre com a mesma pergunta: “gostas?”. O segundo habituara-se a isso. Lançava descontraidamente breves comentários, alguns elogios ou pequenas críticas, para logo voltar ao que o ocupava antes de ser interrompido. O “gostas?” tornou-se uma rotina entre os dois. Todos os dias o mais novo voltava, ele olhava os desenhos, cada vez mais evoluídos e lançava a sua opinião que, por mais lacónica que fosse, colhia sempre uma atenção grata da parte do mais novo.

Muitos dias e desenhos se foram passando, e tantos foram que o mais novo deixou de ser pequeno e entrou pela puberdade. Cresceu e a sua arte cresceu com ele, mas esses momentos mantinham-se entre eles. Todos os dias fazia um desenho novo, cada vez mais esmerado e dotado e quase todos os dias lhe mostrava um deles. Mas um dia, simplesmente, deixou de colher da parte do segundo qualquer tipo de atenção. Talvez se tivesse habituado a ver a “paga” do seu trabalho nas apreciações mais ou menos fundamentadas do segundo e por isso mantinha-se insistente, mas o segundo, tempestivamente, passara a ignorá-lo em absoluto.

Há datas que não são determináveis e por vezes é preciso olhar muitos anos para trás para podermos associar-lhes efectivamente um acontecimento. Um dia não é datável mas a determinação desse dia, mesmo que inlocalizável, é-o. E há imagens agregadas. O segundo lembra-se de fingir não ver as costas desmaiadas do mais novo quando deixava de receber dele o que se habituara e tentava lidar com a mágoa dele com uma indiferença disfarçada. E lembra-se que nada disto foi repentino, mas sim um processo lento e carnívoro, até que as investidas do mais novo se tornaram cada vez mais esparsas e incertas até perderem o hábito de procurar o irmão.

O mais novo, porque era mais novo e porque era dotado, provavelmente não se terá mais lembrado da dependência que nesse tempo longínquo o delimitava e condicionava. O segundo talvez tenha pensado na altura que um dia lhe fosse possível explicar isso, um dia, quando ambos percebessem melhor as palavras e os significados. O dia em que o dom do mais novo se tornou maior do que a sua capacidade crítica e onde teve a clara percepção de que esse era o dia em que o que dissesse teria de deixar de ser relevante para ele. Não percebia nada de arte, mas sabia de si sobre o acto de criar, esse espaço enorme, vazio, arrepiante às vezes, que nunca poderá ser ocupado por mais ninguém que não o seu criador e as suas interrogações sem resposta.

Algures, nesse tempo indeterminado, com um gesto bruto e calado, cada um passou a seguir o seu desígnio e cada um se tornou homem nele. Hoje, o mais novo desenha enormes cúpulas em céus amarelados. Criações lindas que vão muito para além da sensibilidade que levou o segundo a fazer-se engenheiro. Se o mais novo viesse hoje ter com ele, com esses estranhos desenhos de coisas viradas ao contrário, e lhe perguntasse: “gostas?”, provavelmente o segundo não saberia o que responder. Mas o mais novo nunca lhe perguntaria isso, porque há muitos anos que deixou de precisar de perguntas. Porque há muitos anos que se dedica a inventar respostas.

… e algumas saem-lhe lindas!


ode da saudade

Estás longe, por onde andas?

Mas já foi, mas como foi se ainda sinto?

Ainda que o que sinto seja vago de ausência.

 

Nada dizes e se nada dizes com nada fico!

Ou estás ou não estás, ou és ou já não és!

Senão nada mais tenho, para além deste frio de espanto.

 

É um trecho de sonho que agora te traz?

Brincas fazendo copiar pequenos gestos nas mãos dos meus filhos?

É assim que me visitas, quando nada mais vejo que o estranho da dúvida?

 

Que mundo é este que me deixaste?

Uma terra estranha de ti, que ficou estrangeira para mim

Emigrado na saudade, a aprender a viver esta outra vida !

 

Mas onde as escondeste?

Às palavras, memórias, dias, lugares, desígnios …

Se de resto nada encontro, onde anda o nosso passado?

 

E eu onde passei a estar, será que estou?

O meu rosto nos teus olhos, sem eles, qual é o meu rosto?

Também fui contigo? Para onde me levaste se não te encontro?

 

Procurar-te é encontrar-te, sem o saber

Sei agora que a saudade é para isso, para não te encontrar

e para me trazer a continuar a procurar-te, dentro de mim.

 

Nesta mentira piedosa que me conto,  eu que fico

Mas que vazia e inócua seria esta, como a reviveria à vida

Se no que sigo não te trouxesse comigo?


um medronho no alpendre

O carro rola agora vagarosamente deixando um rasto de pó que, sob a luminosidade da lua cheia, brilha numa nuvem fosforescente.

Quinze minutos antes estavam respaldados sobre a melhor vista do mundo. O socalco da quinta em primeiro plano, a fazer de balcão para diante, na distância mais larga o quadriculado das salinas agora transformadas em viveiros, depois a ria, a dividir-se em dois, e por trás dela a barra a abrir garganta pelo mar adentro. Terra e água pinceladas com o prateado daquela noite de lua cheia e o silêncio dos coaxares, assobios, sibilos e outros sons entrelaçados que só ali, na noite algarvia, longe do ruído das luzes dos aglomerados turísticos, acontecem assim.

Agora, à medida que avançam pelo vale, ziguezagueando por entre as esquinas rectas que definem os viveiros, de capota rebaixada, vão levemente tomando a noção que, ainda que sem gravidade desmesurada, se encaminham para um pequeno acto criminoso. E vão sorrindo, os dois, ainda que nem precisem de olhar um para o outro para saberem que partilham do mesmo estado de espírito. A noite é morna, tão morna como a languidez com que seguem caminho.

Da varanda de onde partiram, a coberto da pérgula e tendo por diante a noite e o mar, a conversa foi escorrendo horas a fio, sem trajectória, apenas acontecendo, sem os acanhamentos que por vezes nos condicionam e nos levam a quebrar o seu acontecer com receio de contradições ou confissões desmesuradas. Quando dois homens se sentam ali, naquelas noites, há mais de 30 anos, já nada disso faz sentido. As palavras lançam-se, soltam-se e volteiam para voltarem a cair e com elas se brinca e com elas se sorri. Quando dois homens se conhecem assim as palavras não têm dono, alguém as lança e quando caem são dos dois. Nem sempre isso é assim, a vida não é assim, mas naquela varanda, do fundo daqueles anos todos, naquelas noites de verão algarvio, entre eles, as coisas são sempre assim.

O João reduzia agora a velocidade, recomendava-lhe o Zé, para que a nuvem de pó pousasse e a presença deles se tornasse menos conspícua. Lentamente iam olhando em redor à medida que o carro avançava pelos dois trilhos lavrados pelos rodados dos tractores. Desconfiavam ter encontrado a leste o destino daquela incursão. Calmamente trocavam impressões: se aqueles dois focos e a distância entre eles, do alto dos postes, poderiam ser o seu alvo, ou se estariam a confundi-los com outros mais adiante. E nisto paravam, olhavam para trás, a procurar a varanda lá longe, do morro de onde tinham partido, para lhe tirarem a trajectória, a direcção e a distância que acordavam não haveria de ser menos que uns 3km.

Não saberiam certamente precisar como aquilo tinha começado. Às tantas a conversa levou-os ali, enquanto reabasteciam os copos com o delicioso medronho que só a quinta de Monchique produz no mundo. Um casual trocar de palavras, como aliás sempre acontecia, acabou por dar mote a uma nova linha de conversação que, sem que o pretendessem ou disso se importassem, acabou por estimular o que pouco tempo depois haveria de ganhar o volume de uma enorme indignação. Era já noite muito avançada, tanto que já só os dois tinham sobrevivido despertos, quando por fim um deles proferiu em jeito de remate: “que filhos da mãe! para que eram precisos aqueles holofotes enormes ali? já nem a ria se consegue ver!”

Eram aqueles, só poderiam ser aqueles. O João seguiu por diante com o carro, procurando encontrar sítio para inverter a marcha do carro naquela estreita azinhaga, que por prudência seria de ficar apontado por donde tinham vindo. O Zé lançou-se a caminhar ao longo da cerca, procurando-lhe uma falha. Com algum custo, pois que em nada era ajudado pela óbvia tropeguidão, lá descortinou uma zona mais expugnável, por onde se fez desaparecer para o interior da propriedade. Sabia exactamente onde se dirigir, embora se recomendasse de cautela, que local tão iluminado poderia bem ser vigiado ou até mesmo ter cães de guarda. A casinhota das máquinas era de betão, mas a porta estava descuidadamente aberta. Na parede do fundo avistou a instalação, depois encontrou a caixa de contactos e daí seguiu o caminho dos cabos cuidadosamente. Não havia razão para estragar mais do que aquilo que a placidez da ria obrigava. Uma coisa era um acto de sabotagem outro era vandalismo que não assentava bem a quem era pai de filhos.

Quando se voltaram a aninhar no alpendre, as pernas estendidas sobre o murete, o céu começava a ficar com os matizes eléctricos que aproximam a madrugada. Encheram mais um pequeno copo de medronho, lançaram a vista em frente, esticaram-na para um e outro lado. As salinas, a ria e o mar estavam formidáveis e em redor nada os incomodava. A noite tinha voltado a estar desaprisionada.  Sorriram, tilintaram os cálices, beberam um último trago e foram deitar-se.

do alpendre

Todas as noites, a seguir ao jantar, é no alpendre que a numerosa família se entrega às noites lânguidas e luminosas que só o Algarve sabe trazer. No esvoaçar da conversa, os mais novos, filhos e sobrinhos, comentavam entre si a lisura da noite e a sorte de com tanto empreendimento à volta ter a vista pela frente salva de entulho, cimento e luzes, no que a avó assentia, que pois que era uma sorte, que a quinta quase parecia ser um santuário da família. Os dois sorriram, concordaram e cada um à sua vez se despediu para a deita que a noite anterior tinha sido longa.

Nota do Autor: Esta história é ficcionada; Já não há medronho como aquele, nem nunca existirá alpendre que assim se vire ao mundo. Além disso ainda se admite que dois amigos se possam compreender o suficiente para usarem de meias palavras mesmo que para arquitectarem maliciosos estratagemas, mas é evidente que com quase 50 anos e bem formados nunca se meteriam em vilanagens e a saltar cercas.


o dia em que me roubei à minha mãe

Ontem passaram-se 11 dias desde aquela sexta-feira onde bebericava um vodka enquanto abria o envelope da TAC. E 10 dias se passaram depois da conversa em que, pausadamente, como quem conta uma narrativa,  falei primeiro com a Ana e depois com o Francisco e o Diogo. Senti-me forte por ver-lhes reacções tão serenas. Havia alguma falsa objectividade quando me assinalavam que o diagnóstico ainda não estava confirmado e que por enquanto eram opiniões médicas, porque era evidente que se escondia aí um sentimento de negação, mas ainda assim não deixavam de ter razão e eu dei-me por arrependido por não deixar correr esta história guardada dentro de mim por mais uns dias. Mas o que é certo é que a razão não sustenta o ímpeto das emoções e eles portaram-se como eu precisava.

Só que ontem as notícias eram mais confirmadas. Vários exames depois reforçavam as primeiras suspeitas, e estas a serem sustentadas na opinião de um fórum de especialistas, doutores da pneumologia à oncologia, a ciência a querer trazer-me à evidência, ainda sem convicções absolutas, que enfim, haverá ainda esta e aquela possibilidade. O medo do erro ou uma forma piedosa de fazer a verdade entrar lentamente na nossa vida?

Desde ontem já não senti que houvesse razão para o evitar mais. Melhor fazê-lo agora que arriscar que outros o fizessem por mim. E por isso ontem tive a conversa mais difícil da minha vida. Depois deste, outros dias virão, difíceis, muito difíceis, sei-o. Mas nenhum mais difícil que ontem. Nenhum como o de ontem, quando a fitei enquanto as palavras já treinadas me iam saindo da boca. No mundo infinito da natureza humana nenhum dia será mais difícil que esse, o de lhe ver um filho a morrer-se-lhe nos seus olhos.

30 Março

PS: Este post foi escrito na altura aqui datada e só agora publicado para ficar (propositadamente) nos meandros do blog. ( Como este muitos outros, durante 6 meses, foram escritos, talvez como processo de catarse, ficando a sua leitura em privado, só para mim). É pouco provável por isso que seja lido por alguém. Mas se isso acontecer quero que saiba que … passei de facto pela trajectória da morte mas quis o destino que a medicina se enganasse. Em resumo, continuo a ser habitáculo de imensas estrelinhas luminescentes, mas o que quer que isso seja já não aparente ser neoplásico e o que quer que isso seja não me vai deitar abaixo assim tão facilmente. Siga a carroça


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