Category Archives: Ilustrações

de uma tela branca …

Em todos nós corre uma torrente artística. Na maioria das vezes um avisado pudor acaba por a conter da vista dos outros. Noutros casos, mais desafortunados, basta um pequeno clique para esbanjar essa deriva da criatividade em acidentes bem mais reprováveis. Normalmente isso ocorre com a idade. Os idos dos anos levam-nos a querer fruir do que não serve absolutamente para nada e, estranhamente, é daí que recolhemos o prazer. Admitamos que um qualquer indivíduo um dia se dispunha a pintar, não porque fosse dotado ou porque alguma vez pendesse para a realização artística, nem tão pouco porque já o tivesse previamente experimentado, mas apenas porque sim. O que normalmente o impedirá é a falta de balanço. Nada em seu redor estimularia a que esse excêntrico desejo passasse disso. Mas admitamos que subitamente acorda e vê na sua frente um tripé, uma tela em branco e uma caixa de óleos. E dia após dia, no acordar, a mesma imagem, sem nada já que o trave a desafiar razões, nem argumentos para deixar de as ter. Pois é …

2009
… um destes dias terá de ser.

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retorno civilizacional

Retomando uma velha prática bloguista, porque não resisto (ainda que com um decepcionado sorriso amarelo) ao humor que carrega, aqui atrelo imagem roubada no blog do amigo JPT


Andamos a trocar fotos entre nós

e nisso repuxam-se memórias que nos são comuns, episódios que ainda partilhamos, e depois até o reparo, o espanto, da semelhança das feições das nossas crias que encontramos nestas crianças de antanho que agora revisitamos.

Mergulhar nesse passado tão longínquo da infância é normalmente um momento plácido, um exercício de serenidade que estimulamos em nós, mas é quase sempre um acto solitário, como se desembrulhássemos uma prenda fabulosa mas não tivéssemos quem connosco pudesse brincar com ela.

Creio que nunca tinha cuidado da extraordinária experiência que é poder fazê-lo lado a lado com outros e retroceder ao mesmo instante da nossa meninice, grafado há 40 anos atrás, sem ter de o desfrutar sozinho. Poder trilhar o nosso passado mais distante e íntimo com outros que o têm também como deles é uma dádiva que, percebo agora, nem todos têm a sorte de poder usufruir. Poder fazê-lo não com um ou dois irmãos, mas com mais cinco, é um festival de memórias, uma orgia de recordações, essa uma dádiva ainda maior, essa que irei sempre querer desembrulhar, com uma enorme gratidão, junto dos meus pais.


a vida é dura, ui ui

Há coisas estranhas:

Fui ao Algarve no fim-de-semana para cumprir com a altruista tarefa de montar um toldo debaixo de uma canícula quase carnívora o paraiso agora tem sombra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

e voltei que nem me mexo

ja nao tenho idade para isto

 … à conta das ‘carreirinhas’ sobre as ondas de um fabuloso levante!


por diante

corto maltese


afinal, qual a ilusão que há em nós

(autor desconhecido)

 

A do mundo almiscarado que só existe do lado de fora,

ou a folha em branco onde desenhamos o que dele queremos achar? 

 


só no son(h)o

os nossos fantasmas conseguem voar para além das manápulas da consciência com que os aprisionamos

sonoZé (c) 2005, gatafunhado com isto

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