A p e n a s + 1

cansado

Publicado em Blogroll by Zé em Maio 15th, 2008

 

Apetecia-me agora parar, e poder ir … até aqui. Zarpar. Bastariam um ou dois dias, um turno da noite, uma bolina bem lançada . Depois enrolava a genoa, arrumava a palamenta e voltaria para continuar zelosamente a tricotar esta vida antes mesmo de alguém dar pela minha falta.

a vida é uma propriedade demarcada pelas estremas da nossa intimidade

Publicado em Anotações, Aproximações, Pulsações by Zé em Maio 13th, 2008

 

Registo que há tanta coisa na minha vida que gostaria de ter resolvido antes de o vir a saber. E é por isso que (por mais que me consuma) me finjo inquebrantável perante os percalços que lhes atravessam a vida e que eu tão fácil ajudaria a resolver, e … não posso. Não posso. São eles que o devem fazer. Esse caminho que devem percorrer para aprenderem a resolver as suas coisas antes de as saberem perdidas. Que a mim não me cabe encurtar-lhes respostas, como essas que tantas vezes senti faltar. A mim cumpre-me respeitar o tempo que lhes é devido para mastigarem a vida, (e fincar-me) à distância possível

… felizmente, com algumas excepções que a minha condição de pai traz ao livre arbítrio.

fico então a aguardar a interrupção do intervalo

Publicado em Blogroll by Zé em Maio 12th, 2008

 

Deves ser o único que me consegue ganhar neste exercício aeróbico do fecha-reabre, entorpece-desperta, afasta-abraça, esconde-mostra, cala-fala. Isto apesar das cautelas, mais daí acho, em não o tornar mera coisa convulsiva, como aqui.

Avisa-me depois na (da) volta ok?

blogoterapia

Publicado em Circunflexões, Pulsações by Zé em Maio 9th, 2008

a angústia não vem do que deixámos por fazer, mas da inquietação com que reconhecemos essa falha. porque a angústia não está nas coisas, mas em nós.

 

Há alturas em que, subitamente, estaco. Paralisa-me a hipótese de algo precisar da minha intervenção, algo importante que não consigo identificar de forma exacta, algo como uma carta urgente para mandar a alguém. Tudo isso é desenhado no domínio dos pressentimentos, e no entanto, apesar de assim tão vago, toma a forma de um forte compromisso ao qual nesse exacto momento estou a falhar. Nessa altura, angustiado até, sou incapaz de me reconduzir no que estava a fazer antes de ser consumido nesta imprevista percepção.

Mas assim, amofinado, raramente fico mais que um ou dois minutos. Normalmente, com um exercício elementar de racionalização acabo por desarmar a ideia de que alguém depende de mim naquele instante - a inquietude acaba por se desvanecer e eu retomo a minha compostura. Volto ao trabalho. A carta é que não, a carta fica sempre em mim, em falta, por mandar, à procura da próxima vez em que me sobressaltará de novo por falta de um destinatário. 

(re)aforismos mas já sem html (pois, até a verdade tem dois lados)

Publicado em Anotações, Circunflexões, Conversações by Zé em Maio 9th, 2008

 

É tão simples permanecer igual, não ser mais do que sempre fomos!
Afinal, tudo depende do quanto nos enfastiará vermo-nos nos outros.

aforismos e exercícios em html

Publicado em Anotações, Circunflexões, Conversações by Zé em Maio 8th, 2008

 

É tão fácil mudar de aparência, do que ainda agora éramos!
Afinal, tudo depende apenas do quanto resistiremos continuar sós.

os insondáveis mistérios da web 2.0

Publicado em Exclamações, Navegações, alucinações by Zé em Maio 6th, 2008

Há algo de admirável inverosímil cómico num blogue que está fechado há mais de ano e meio (leia-se: não emite nada de relevante desde 29 de Setembro de 2006)

… e continua a somar mais de mil visitas por dia!

E com esta parece-me que se vai embora a credibilidade dos números com que tantos afagam o ego, não menos brincam com o fascínio da aparição/figuração pública e muitos outros ainda se entretêm a cansar os olhos enquanto monitorizam arrebatadamente o seu contador de visitas

os mares e os homens

Publicado em Anotações, Aproximações, Circunflexões by Zé em Maio 2nd, 2008

Quem nunca viveu o mediterrâneo a partir do mar desconhecerá provavelmente algo que marcadamente influenciou todas as populações que nas suas costas se acomodaram. Ao contrário da face atlântica onde a aspereza do oceano e a grande amplitude das marés impele as pessoas para uma cota mais segura, no mediterrâneo essa variação é por vezes inferior a um metro e a linha de água fica assim quase desvanecida. Este pormenor é de uma importância extrema para a relação que os povos estabeleceram com o mar.

Nas escarpas oceânicas o mar nem sempre é amigo e a distância é algo que se deve manter para com ele. Aí cativa o inóspito e entre nós e ele há sempre margens selvagens que apelam ao épico, ao esforço com que nele mergulhamos, mas também a um respeitoso distanciamento. Todas as actividades que entrosámos com ele tiveram sempre rasgos heróicos, onde guerreámos com a sua ira vezes sem conta, onde lhe tememos o gigantismo e onde, temerosos, nos separámos das suas histórias de final imprevisível. E se nos deixámos ir e assim nos oferecemos ao seu destino, aventureiros e temerários teremos sido, que é assim que nos conta a nossa história, através dele … não toda, mas a história lenda que gostamos de saber contar de nós.

No mediterrâneo tudo é ao contrário. O mar é apenas o limite ténue da terra, essa fronteira desvanecida para onde todos os povos ilhéus se viraram e dela se fizeram depender. A linha da costa é macia, quase imperceptível, frágil, e envolve-nos nessa proximidade como só nesse mar conheço e a história da humanidade confirma. Há uma relação serena com o mar, e em vez das grandes conquistas e dos desafios pelo desconhecido que ocorreu connosco, povo atlântico, por influência do agreste, aqui a maré sempre funcionou como o caminho mais fácil, o ponto de partida para outros lugares vizinhos, a alternativa menos árdua do partir.

No mediterrâneo descobre-se, nos oceanos conquista-se. E tudo é uma questão de marés, de oscilações, de maior ou menor previsibilidade, de irascibilidade. É assim com os mares e assim é também com os homens. As pessoas também são assim, repito eu feito marinheiro (que as léguas no mar, ainda que poucas, são mais que aquelas que sou capaz de entender nos homens), as pessoas são como o mar: Tal como os oceanos umas são de agitadas marés, e nessa oscilação de vontades ora se mostram acessíveis e até sedutoras ora lançam estuporados gestos de antipatia e gritos de cólera com que sacodem aqueles a quem no fundo se querem prender; Outras são mais estáveis, mais mansas, mais doces, mais previsíveis e reconfortantes, são mediterrânicas e por isso delas reconhecemos sempre a linha d’água, e nelas deixamos acampar a nossa confiança. Numas pode-se viver na beira das suas margens sem recear que um dia estas nos fujam ou invadam, outras são ciclones permanentes a desafiar a perseverança de quem ainda assim delas gosta.

Eu? Eu se fosse mar banharia a costa bretã: que lá é tal a maré que o que agora é terra é amanhã mar. Abraços inábeis, franjas de água incontroláveis, humores para além da nossa vontade, marés grandes demais para o mar que os outros querem ter de mim.  

Publicado em Anotações, Replicações by Zé em Abril 25th, 2008

giroscópios e aceleração de coriólis

Publicado em Blogroll by Zé em Abril 22nd, 2008

[ estava aqui um post que transportei para o meu acesso privado. dava-se a muitas interpretações, minhas e dos outros. e era sobre coisas que apenas nasceram para isso mesmo, para serem coisas escritas, nem tanto lidas. coisas sobre o que ninguém quer fazer perguntas e que a ninguém sussurrarão respostas. ]

 

Publicado em Aproximações, Replicações by Zé em Abril 15th, 2008

a vez dos casacos à vez

Publicado em Aproximações, PostoMaton's by Zé em Abril 11th, 2008

Há pouco o Francisco foi a um concerto. Não ‘dos dele’ mas um dos ‘da avó’, desses que também gosta. Nos preparos, apesar dos ténis, incondicionais, notei-lhe esmero na camisa preta. Raramente lhe tinha visto tal zelo e por isso chamei-o ao quarto dos roupeiros e ofereci-lhe um dos meus blasers. Agitou-se nesse “que nem pensar” mas depois olhou-o melhor, era preto também, passou-lhe a mão, de veludo, e decidiu-se a experimentá-lo. Assentou-lhe melhor que a mim - engrossou-lhe o tronco, espaldeirou-lhe os ombros e ainda o fez mais alto. Encostei-me ao fundo e fiquei a vê-lo percorrer-se no espelho. (É curiosa essa idade em que subitamente nos podemos sentir surpresos com a nossa própria imagem). Quando se virou percebi imediatamente que tinha acabado de perder o meu casaco favorito. Depois a campainha tocou, eu disfarcei o enternecimento da despedida, ele saiu e a porta fechou-se atrás de si.

Claro que fujo desse lugar comum de querer ver nele a minha projecção, melhorada, mas seria hipócrita negar que o casaco lhe assenta melhor que a mim.

tenho um grave problema com as vírgulas

Publicado em Irritações, alucinações by Zé em Abril 11th, 2008

Produzo um texto, publico-o, releio-o e …hummm… lá acabo a puxar uma vírgula para a esquerda. Revejo-o agora de novo e, nada bem, desloco-a ainda mais para a esquerda. Uma outra vez e, concluindo-a desnecessária, acabo por a retirar de cima do ‘ou’. Arquejante, volto outra vez ao texto e de vírgula suspensa na mão procuro um local onde a possa pousar. Releio pela enésima vez o texto saltitando de vírgula em vírgula no que acabo sempre ofegante. Jamais conseguirei alinhar as vírgulas com o meu ciclo respiratório.

Quais ginásios e máquinas de correr parado! Para mim, escrever e rever infinitamente aquilo que escrevo é o verdadeiro exercício aeróbico.

transferências

Publicado em Blogroll by Zé em Abril 11th, 2008

O Vasco Barreto ocludiu-se (mais uma vez) e o “memória inventada” encerrou, faz já algum tempo. Nunca escondi o apreço que tinha pela sua escrita e pelas memórias, (afinal comuns), por onde ele fazia transportar-me. Mas a verdade é que já nem esta perda lamento. O meu afastamento * da blogosfera tem vindo a ser progressivo e desapiedado.

* Talvez não seja exacto falar de um ‘afastamento’ já que não concebo este espaço como uma comunidade, como um local de proximidades, talvez como no início da sua exploração supus poder ser. A única coisa que aqui nos une é a escrita, e as ideias que ela eventualmente carrega. Não consigo perceber relações de proximidade sem a interpretação da emocionalidade dos gestos, das feições e sobretudo das suas hesitações, isso que a escrita inevitavelmente encobre. E sem essa percepção não há gente além mas apenas textos, que podem até incendiar-nos, ou deixar-nos indiferentes, e que podemos nalguns casos até trazer para nós e vesti-los, e chamá-los nossos. E tão apenas isso: serão já nossos, mas já apenas nossos. E entretanto, ‘lá’, alguém escreve mais outra coisa, sobre ela, para ela, e que mais tarde leremos indeferidamente, e que tomaremos de novo para nós. E onde está a afinidade essencial a uma comunidade nesta partilha de textos?

Na verdade, afasto-me na medida exacta em que os (já poucos) blogs que considero de paragem incontornável se vão encerrando. Isto porque raramente renovo já as minhas preferências. O que não quer dizer que acidentalmente não me deixe prender por um novo espaço de leitura. Mas faço-o comedida e silenciosamente. Já nada tem a ver com o barulho com que outrora atroava tais descobertas com outros viandantes. Assim, agora, apenas declaro, já quase para ninguém, o meu gosto por esta leitura de que já não me consigo evadir.

(Há tempos terei dito, depois desdisse-o, e hoje reafirmo-o: há escrita feminina. Não a dos poemas e da sensibilidade alada, das figuras nebulosas e dos tons pasteis. Falo do compasso do texto, da forma como se nos leva a respirar entre as palavras e também no cuidado como se as escolhe, no timbre que se usa. Subtilezas de forma, do sentir, da palpitação para além do verso, aptidões onde os homens em geral são inábeis. Na vida também.)

Mas que se lixe a casa e falemos sim do que é deveras importante

Publicado em Blogroll by Zé em Abril 11th, 2008

Do futebol. Do futebol cada vez me afasto mais. Até no seu consumo, a partir do sofá, me fui progressivamente alheando, cedendo por fim essa nesga de televisão a que ainda me devotava a outros interesses da família. Sem televisão não há futebol, e disso quase arrisco fazer uma verdade universal, se bem que sobretudo portuguesa.

Portanto, quando me proponho ir ao estádio numa agreste noite chuvosa flanqueado por baldes gotejantes de cerveja agitada por turbas alarves de normandos e me entrego sem reservas a esses tontos rituais urbanos e me despendo de novo em gritarias esgazeadas e me associo ao vozeiral colectivo dos impropérios tribais e me sujeito até às mezinhas das danças acenadas de lá do cima da bancada, aquilo que verdadeiramente me revolta …

… repito, aquilo que me revolta, é terem-me oferecido bilhetes estragados!

 

PS: levei o meu mais velho; são jogos destes que lhes fortalecem o carácter

nunca pensei que aos 45 anos …

Publicado em Anotações by Zé em Abril 4th, 2008

… acabaria a dormir debaixo da ponte

(bem, pelo menos já não precisarei de arranjar o telhado)

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o mundo visto em bonequinhos por LCD’s

Publicado em Irritações, Replicações, alucinações by Zé em Março 31st, 2008

Quando há um problema comportamental na nossa sociedade a culpa é dO aluno malcriado. Já a responsabilidade é do ‘sistema’ quando porventura são oS professores que falham.

Quando incidentes que sempre aconteceram dentro da sala de aula por evidente incompetência pedagógica* e insciente uso da autoridade* são amplificados e distorcidos pela comunicação social para alimentar performances festivalescas à hora de jantar, aí sim, há um problema quando quer ‘culpados’ quer ‘inocentes’ não vêm nisso um problema.

* «Numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música. Patrícia terá extravasado a ordem atendendo uma chamada da mãe.» - episódio de notícia vinda a público no “correio da manhã” e no “público” de que tomei conhecimento no blogue do FJV.

PS: Eu sei que abordar questões tão emergentes e importantes como esta sai fora do estilo alegre, alheado e pueril deste blog mas, caramba, nunca li tanto enviezamento da realidade como o que já se escreveu sobre um incidente que noutros tempos se teria resolvido com um bom par de estalos , isto claro se a professora não fosse tão incompetente ao ponto de o ter provocado. (Ai, desculpai: claro que não, claro que não há professores incompetentes, o que há apenas é alunos mal educados.)

 

PS2:   Leio agora um comentário colocado no blog citado que me ajuda a perceber melhor esta (nada linear) questão:

“A autoridade de um professor não pode assentar no seu estado de espírito, no seu talento ou em qualquer outra idiossincrasia pessoal.
(…)
A verdade é que a autoridade tem que emanar da instituição que o professor serve e representa. Só essa autoridade, igual para todos, é educativa, justa e livre de abusos.
Ora, este governo, pelo desprezo que tem mostrado pelos professores, por ter posto a sociedade contra eles e por ter dificultado até ao absurdo o processo de castigar os alunos, minou completamente essa autoridade institucional.

E o professor ficou sem poder nenhum que o sustente
.”
(bold meu)

Pois, eu logo vi, eu logo vi de quem era a culpa !!!

blogoterapia

Publicado em Irritações, devaneios by Zé em Março 27th, 2008

Enervam-me as personalidades engravatadas e sem defeitos de fabrico. Nem me custa sequer reconhecer que prefiro saber-me cheio de amolgadelas no meu carácter - fazem-me sentir mais autêntico e vulnerável - do que presumir-me habitar um personagem maquilhado do qual se torna inverosímil provir beijo ou açoite, riso ou arrelia.

E arrepia-me só pensar que alguém invista em fazer de si esse mero manequim onde esforçadamente esconderá todos os pedaços do seu temperamento que aparentemente se lhe revelem inúteis, improváveis ou incomodativos, enquanto com rigorosa e estudada disciplina vai soltando gestos e rasgos sensatos de um personagem fingido. Recuso absolutamente essa expropriação da nossa natureza e lamento por quem se sinta capaz de esconder meticulosamente a sua verdadeira essência em proveito de uma imagem, de um cargo, de reconhecimento ou status, de qualquer que seja o galardão que se lhe cole e que nunca intimamente lhe pertencerá.

Para além disso nada mais tenho contra as personalidades engravatadas e sem defeitos de fabrico. Apenas que me enervam, repito-o. Mas não é justo que sobre elas dobre com tal veemência a minha irritação. Já basta aos espantalhos terem de ficar ancorados no seu irrepreensível orgulho enquanto eu “levanto ferro e largo pano”, que já eu louco parto pelos esconsos da minha personalidade destrambelhada ainda eles aprimoram o risco ao lado, do peralvilho que fingirão. Mas também, que lhes importará tal sina se de tão preocupados em admirar o seu rasto nem a cabeça do chão ousarão levantar.

Ena, sinto-me bem melhor! Isto resulta mesmo

oxalá um destes dias não me veja forçado a sentar-me do lado de lá

Publicado em Anotações by Zé em Março 27th, 2008

Tenho andado esta semana em entrevistas para admissão de um novo Colaborador para a equipa. Estou simplesmente chocado. São já incontáveis os processos de candidatura/admissão de pessoal em que me tenho visto forçado a participar (eu é mais máquinas) ao longo dos anos. Tenho testemunhado de tudo: licenciados candidatando-se para tarefas de atendimento telefónico, gente com experiência de 20 anos disposta a (re)iniciar carreiras … ganhei por isso já algum endurecimento nestas situações em que me vejo forçado a mergulhar no universo do mercado de trabalho.

Não estou é já preparado para conduzir entrevistas desta natureza nos moldes em que me habituei a fazer. Lido muito mal com a questão até. Apesar de só ter sido apanhado desprevenido na primeira reunião continuo sem saber o que dizer quando a generalidade dos candidatos, em geral com valia para ocuparem a função, manifestam, inusitadamente, uma expectativa de remuneração francamente abaixo daquela que estamos dispostos a oferecer!

Nota: não, não pagamos acima da concorrência

dioptrias

Publicado em Circunflexões, Pulsações, alucinações by Zé em Março 27th, 2008

Dou por mim com o avançar dos tempos a sentir-me cada vez mais sereno e complacente com o mundo. Claro que continuo o homem susceptível e irritável de sempre mas não são dessas nuances epidérmicas que aqui falo. Falo do conforto que alcanço no que alcanço, aqui, já. Agora lido apenas com as partes que estão ao meu redor e brinco assim a ser feliz. Confesso até que tenho já alguma dificuldade em compreender aqueles que vivem inquietos com horizontes que não avistam como se esses fossem partes perdidas deles.

Claro que já me interroguei se isso, [esta coisa de se esbater (a importância) a nitidez dos contornos ao longe], não será apenas uma questão de vista cansada*.
marycard.jpg

 

 

  
  
imagem gentilmente produzida por Nuno ‘Bro’ e originalmente publicada aqui

 

        * eu até usava óculos, mas um dia perdi-os e nunca mais comprei outros. agora sofro dessa alguma miopia e de uma agradável superficialidade.